Crise acabou com 22% das indústrias na Venezuela
Preço das matérias-primas contribuiu para aumentar 4.900% o custo médio de produção
A crise acabou com uma em cinco empresas do sector industrial na Venezuela. O estudo da Confederação de Industriais da Venezuela conclui que 22% do tecido industrial fechou portas sobretudo devido à hiperinflação que está a dificultar a aquisição das matérias-primas, vitais para a manutenção da actividade.
A Conindustria, que representa o sector naquele país da América do Sul, estima que cerca de 700 das 3.200 empresas deixaram de funcionar. No segundo trimestre deste ano, os custos médios de produção aumentaram 4.900%, tornando inviável a manutenção de muitas das actividades industriais. E as que persistem, temem uma quebra nas vendas de 82%, em boa parte devido à perda do poder de compra dos consumidores.
“A Venezuela deixou de ser um país industrializado”, disse Juan Pablo Olalquiaga, presidente da Confederação de Industriais da Venezuela, citado pelo jornal El Nacional, na apresentação dos resultados da pesquisa do segundo trimestre do ano. Do total de empresas activas que chegaram a 3.200 no final do ano passado, 700 deixaram de operar.
“É dramático observar que 22% das empresas deixaram de existir. É uma reflexão e uma demonstração do processo de mortalidade e destruição que infelizmente os venezuelanos estão vivendo neste momento “, disse o chefe da Conindustria.
Quanto a 78% das empresas que continuam produzindo, 97% dos proprietários consideram que a situação no país é “pior” ou “muito pior”.
O estudo também revela que, para 87% das indústrias, a matéria-prima diminuiu em relação ao mesmo trimestre do ano passado. “Vai extinguir a matéria-prima que as empresas tiveram para manter as suas operações”, afirmou o gerente. Acrescentou que 72% declararam ter menos de 3 meses de trabalho segurado; enquanto 83% das pequenas empresas admitiram resistir “menos de um mês”.
No período estudado também foi observado que cerca de 50% das empresas trabalhavam com menos de 20% de sua capacidade instalada. “Existem sectores como artes gráficas que trabalham com 16% e autopeças com 8%”. Apenas 10% dos entrevistados responderam que operam entre 61% e 80%. Nenhum entre 81% e 100%.
91% das empresas disseram que a sua produção foi “drasticamente” reduzida em unidades físicas, o que reforça as projecções de perda em mais de 20% do produto interno bruto para 2018, que acumula uma queda de 50,61% desde que Nicolás Maduro assumiu o poder em 2013, segundo dados da Comissão de Finanças da Assembleia Nacional.
Além disso, no último trimestre, o aumento médio nos custos de produção foi superior a 4.900%, embora 32% dos industriais tenham dito mesmo que ultrapassou os 5.000%. “Os consumidores não podem pagar em hiperinflação o que os produtos estão custando, então as empresas pararam de vender.”
O reflexo mais visível desta crise industrial e do custo das matérias-primas foi mesmo a escassez de gasolina, o principal ‘motor’ da economia venezuelana, que afectou várias cidades. Caracas, a capital, ficou sem combustíveis para abastecer os automóveis. Segundo a Câmara de Transporte do Centro, 70% das viaturas que transportam mercadorias (entre as quais bens alimentares) para Caracas, estão com os tanques vazios, logo, impedidos de garantir o abastecimento.