Veja o encontro e a reflexão do padre madeirense Tolentino Mendonça para o Papa

Roma /
24 Fev 2018 / 18:53 H.

O padre madeirense Tolentino Mendonça escolheu uma reflexão sobre a misericórdia, tema central do pontificado, a partir da parábola do “filho pródigo”, para a apresentação que fez anteontem ao Papa Francisco e aos seus colaboradores da Cúria Romana, no retiro da Quaresma.

“Este excesso de amor, que Deus nos ensina, está em condições de resgatar-nos. Cada um de nós possui uma riqueza interior, um mundo de possibilidades, mas também limites com os quais, num caminho de conversão, é necessário confrontar-se”, referiu o sacerdote e poeta, numa intervenção divulgada pelo portal de notícias do Vaticano e citada pela Agência Ecclesia. “Acreditar em Deus é, portanto, acreditar na misericórdia”, adiantou o vice-reitor do Universidade Católica Portuguesa. Tolentino Mendonça alertou para os perigos de um “desejo à deriva”, que gera novos ‘filhos pródigos’, como os da parábola contada por Jesus nos Evangelhos, à mercê da “sociedade dos consumos”. “O verdadeiro desejo”, sublinhou, surge “com uma carência, uma insatisfação, uma sede que vem de um princípio dinâmico e projectivo”. “Dentro de nós, não existem apenas coisas bonitas, harmoniosas e resolvidas. Dentro de nós existem sentimentos sufocados, tantas coisas que precisam de tornar-se claras, doenças, inúmeros fios por ligar”, disse. Alertou ainda contra a “dureza e rigidez do coração”, que vê como um “grande obstáculo” para a “vida de Deus” dentro de cada crente.

A Agência Ecclesia também noticiou que o Papa Francisco agradeceu a Tolentino Mendonça pelas suas meditações sobre uma Igreja “para todos”. “Gostaria de agradecer, em nome de todos, pelo acompanhamento destes dias, que hoje se prolongam com a jornada de jejum e oração pelo Sudão do Sul, o Congo e também a Síria”, afirmou, no final dos exercícios espirituais que o sacerdote madeirense orientou. O chefe máximo da Igreja Católica elogiou em particular as advertências de Tolentino Mendonça contra o “mundanismo burocrático” na Igreja. “Obrigado por nos lembrar que a Igreja não é uma gaiola para o Espírito Santo, que o Espírito também voa e trabalha fora”, finalizou.

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