Raimundo Quintal diz que há duas árvores do Monte em risco

O especialista diz que o arraial pode acontecer, mas adverte para limites dos níveis de som do fogo-de-artífico e da música e para a eliminação de algumas árvores.

23 Jul 2018 / 13:31 H.

O geógrafo Raimundo Quintal alertou, esta segunda-feira, para duas árvores em risco no Monte: um plátano junto ao Café do Parque, no Largo da Fonte, não por debilidade mas por se encontrar plantado num local que já é demasiado pequeno para o seu tamanho; e um carvalho numa zona abaixo, que apresenta sinais de doença: “Estando na zona da lagoa, havia dois carvalhos. O de cima foi cortado e o de baixo está de pé. Esta é a que me preocupa mais”.

O especialista em botânica foi ouvido na 5ª Comissão Especializada Permanente de Saúde e Assuntos Sociais na Assembleia Legislativa da Madeira (ALM) que, esta manhã, serviu para analisar a segurança para o arraial do Monte deste ano.

O ex-vereador do Ambiente da Câmara Municipal do Funchal (CMF), afirmou que o arraial do Monte pode acontecer, mas que deverão ser tomadas estas precauções, assim como salvaguardar o fogo-de-artíficio e a música muito alta, para evitar eventuais “trepidações”.

Raimundo Quintal disse ainda que “não era fácil perceber a doença” da árvore que tombou a 15 de Agosto do ano passado, e comparou com o estado de saúde dos seres humanos: “Podemos estar bem e de repente ter um problema de saúde que nos deita abaixo”. É por isso que não desatou “a apontar culpados” depois da tragédia no dia da Nossa Senhora do Monte, 2018.

Já sobre as espécies que agora alerta, disse ainda estarmos a tempo de “retirar essas situações mais preocupantes”.

De resto - além de outros apontamentos, como a “eliminação” de um plátano que está amarrado com um cabo a outro, também no Monte, e, na Estrada Monumental, algumas árvores desta espécie que “já deviam ter sido abatidas” – o estudioso garantiu que o estado geral do património arbóreo do Monte é saudável. Raimundo Quintal defendeu também que, em memória das vítimas da Festa do Monte, é indispensável retirar os plásticos que estão no local onde o carvalho desabou: “É para mim uma chaga manter o local onde a árvore caiu com um plástico. A melhor homenagem que se podia fazer a quem ali morreu, era plantar uma árvore”.

Sobre como a melhor forma de gerir o Parque Leite Monteiro, focou que o Instituto de Conservação das Florestas e da Natureza deve ter uma equipa de técnicos, de investigadores de botânica, que contribuam para estas tarefas.

Comparando novamente com os humanos, disse: “Estamos a tratar de seres-vivos, cada um merece um tratamento diferente”.

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