Funchal proibiu abate de animais antes da lei regional e mantém aposta na esterilização

09 Set 2018 / 10:22 H.

A Câmara do Funchal foi “pioneira” na proibição do abate de animais, adoptando a medida antes da lei regional de 2016, e investiu mais de um milhão de euros desde 2013 na causa animal, segundo a vereadora da tutela.

“Este município foi pioneiro no que diz respeito ao não-abate de animais de companhia, nomeadamente cães e gatos”, afirmou Idalina Perestrelo, responsável pela Proteção Animal, à agência Lusa.

A autarca recordou que, em outubro de 2015, a medida foi aprovada “em reunião de câmara, por unanimidade, por todos os partidos que integravam na altura a vereação”.

Ainda assim, com a entrada em vigor do decreto legislativo regional que determinou o fim do abate no arquipélago - aprovado no parlamento da Madeira em 04 de fevereiro de 2016 - foi necessário “fazer uma gestão mais rigorosa”.

“Obviamente que se tivesse havido um período de transição teria sido melhor para o controlo do número de animais errantes, mas, não havendo, trabalhamos de outra forma e temos a situação controlada”, assegurou.

Idalina Perestrelo referiu que, antes desta lei, eram efectuados no principal município da região uma média de 1.700 abates por ano.

O número desceu para 20 até agosto, este ano, sendo casos de animais que por várias razões não têm possibilidades de sobrevivência.

A vereadora sublinhou que foi necessário adoptar medidas para “gerir esses 1.700 animais” e responder ao problema da continuação de abandonos, considerando que a equipa municipal e os voluntários envolvidos têm efectuado “um trabalho positivo”.

Continua a haver animais errantes no Funchal. O mais recente censo aponta para cerca de 950 (237 cães e 719 gatos), que estão a ser “controlados”.

A freguesia de Santo António, nas zonas altas do concelho, é a que tem mais animais errantes (275, sendo 200 gatos e 75 cães).

O canil/gatil situado no Vasco Gil, que tem uma capacidade para 150 animais, “está sobrelotado”, acolhendo aproximadamente 300.

Na opinião da vereadora, o equipamento “foi construído, infelizmente, numa zona que não foi a mais indicada” -- não é possível uma expansão porque as propriedades ao redor, embora numa área grande, são privadas e em zona de encosta.

“Desde que eu cá cheguei estamos sempre em obras”, acrescentou.

A autarca anunciou que está a ser pensado um espaço, designado “santuário”, para receber animais.

O município tem apostado na recolha e na esterilização dos animais errantes, os quais são depois devolvidos à rua em locais considerados mais apropriados. Equipas de voluntários tratam de alimentar essas colónias.

A responsável apontou a importância do trabalho “excelente” desenvolvido pela “clínica solidária” que começou a funcionar em maio e já realizou “quase 600 esterilizações”.

“Este número de esterilizações que temos vindo a aumentar vai dar fruto no futuro no controlo dos animais que existem na cidade”, declarou, indicando que tem sido dado apoio neste campo às “famílias comprovadamente carenciadas” para manterem os animais.

Outra das medidas adoptadas pelo município do Funchal foram as campanhas antirrábicas, permitindo um maior controlo dos animais de companhia, que são vacinados, registados e saem com um ‘chip’.

Idalina Perestrelo mencionou ainda a importância das “campanhas de adopção responsáveis” efectuadas no concelho: regista-se uma média anual de 350 animais adoptados, nos últimos três anos.

A autarca destacou que “alguns de animais errantes têm sido encaminhados para a Alemanha, através de uma associação que apoia o município, para adopção”. O país tem um maior controlo sobre esta situação, pelo que “acaba por ter necessidade de ir buscar a outros”.

A Câmara Municipal do Funchal é governada pela coligação Confiança (PS, BE, JPP, PDR e Nós, Cidadãos!), sendo presidida por Paulo Cafôfo.

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