Debate sobre ‘A intervenção na família com violência doméstica’ trouxe João Redondo à Madeira

07 Dez 2017 / 11:36 H.

A conferência ‘A Intervenção na família com violência doméstica’ reuniu ontem João Redondo, Psiquiatra Coordenador da Unidade de Violência Familiar do Serviço de Psiquiatria e Coordenador Executivo da Agência para a Prevenção do Trauma e da Violação dos Direitos Humanos do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra, Augusta Aguiar, presidente do Instituto de Segurança Social da Madeira e demais entidades para debater a problemática da violência doméstica. Uma situação que, segundo Augusta Aguiar, “constitui actualmente um problema social que afecta a sociedade e que, mesmo que entendida como violência nas relações familiares ou de intimidade, os seus efeitos não se confinam ao espaço doméstico ou às pessoas que directamente estão nela envolvidas”.

Referiu ainda que, cerca de 1.958 vítimas de violência doméstica foram acompanhadas pela Equipa de Apoio às Vítimas de Violência Doméstica do Instituto de Segurança Social da Madeira, desde Novembro de 2002 até Junho de 2017.

Quanto ao acompanhamento através de Casas de Abrigo, até Outubro de 2017, foram protegidas 432 mulheres e 612 crianças. “Dados que não falam apenas do nosso passado e do nosso presente, retratam também um futuro que não queremos, mas que teremos, se não formos capazes de alterar a cultura e a mentalidade das pessoas”, diz Augusta Aguiar, passando a ideia de que “para produzir esta mudança, é necessário desenvolver estratégias eficazes de prevenção e intervenção no combate à violência”.

A violência doméstica não é um problema de uma entidade isolada, “é uma responsabilidade e uma urgência que tem de envolver a todos, de forma concertada e especializada, envolvendo as famílias, as instituições educativas, os serviços de saúde, as estruturas judiciais e de segurança, de protecção social e entidades facilitadoras da realização pessoal e da integração activa na comunidade.”

João Redondo, representante em vários organismos nacionais e internacionais sobre as questões da Violência intervindo com famílias, com vítimas e com agressores, sendo formador e participante na criação de manuais e instrumentos de trabalho, especificamente para os serviços da saúde e para a intervenção nas escolas, sublinhou que na Região Autónoma da Madeira “nota-se um trabalho em rede, multidisciplinar e multissetorial e a presença e intervenção no debate, nomeadamente, da magistrada do Ministério Público, coordenadora da Comarca da Madeira, Maria de Lurdes Correia, do subintendente da PSP Roberto Fernandes, da presidente da SESARAM, Tomásia Alves e de representantes das CPCJ’s, Escolas, Ordem dos Psicólogos, Inserção Social, Autarquias, Serviço de Igualdade de Género, entre outros, são a prova do trabalho intensivo que se faz na região”.

João Redondo apresentou perspectivas e abordagens à problemática da violência, com números e projecções futuras associadas, salientado ainda que a violência tem de ser trabalhada numa perspectiva ecológica, conforme orientação da Organização Mundial de Saúde.

A conferência surge na sequência de uma formação de três dias, subordinada ao tema ‘Intervenção com Famílias com Violência Doméstica’, ministrada por João Redondo, destinada a técnicos das várias entidades parceiras, e organizada pelo Instituto de Segurança Social da Madeira, IP-RAM, enquanto entidade coordenadora do II Plano Regional Contra a Violência Doméstica (2015-2019).