Ponta do Sol: orgulho no passado, ambição no futuro
A Ponta do Sol celebrou esta semana 525 anos da sua elevação a município. Parabéns à nossa terra e a todos os pontassolenses. Aos que cá vivem. Aos que partiram, mas nunca deixaram verdadeiramente de ter a sua querida Ponta do Sol no coração. E a todos aqueles que, ao longo de mais de cinco séculos, ajudaram a construir este concelho de que tanto nos orgulhamos de pertencer.
E logo nós, pontassolenses, que temos um orgulho muito singular na nossa terra.
Os solos férteis e a abundância de água permitiram desde cedo a fixação das populações e o desenvolvimento das chamadas culturas ricas. O nosso cais foi porto de chegada e de partida, ligou-nos ao Funchal e ao mundo. Por aqui passaram e ficaram ingleses, alemães, escandinavos. Fomos terra de jornais, salas de cinema, grémios literários, grupos de teatro e clubes desportivos. Terra conservadora em muitas coisas, mas também capaz de pensamentos e movimentos verdadeiramente vanguardistas.
E fomos sempre um povo combativo. A Revolta das Águas é talvez a melhor expressão dessa característica muito pontassolense de não aceitar tudo aquilo que nos querem impor. Muito menos de fora para dentro.
Mas celebrar o passado só faz sentido se tivermos ambição para o futuro.
E há uma obra que, para mim, tem de marcar as próximas décadas: a duplicação da plataforma rodoviária entre a Ribeira Brava e a Calheta, com especial urgência no Lugar de Baixo. Depois do novo Hospital Central e Universitário da Madeira, esta deve ser a grande obra estruturante da Madeira, a Via Rápida até à Calheta. Não apenas da Ponta do Sol. De toda a zona Oeste. O Governo Regional, através tanto do Presidente do Governo, Miguel Albuquerque, como através do Secretário da tutela, Pedro Rodrigues, parece consciente da importância estrutural desta obra e, mais importante ainda, apostado em avançar com a mesma. Que dos estudos nasçam os projectos e dos projectos se passe à concretização da obra.
Nos Canhas, pelo contrário, e sem solução à vista, a população continua à espera de uma verdadeira resolução para Via Expresso. Aqui o Governo Regional, já desde os tempos de Alberto João Jardim, tem falhado aos pontassolenses nesta matéria. Seja através de uma ligação expresso directa entre a Vila e os Canhas, como pensado inicialmente, seja aproveitando a futura via rápida até à Calheta, construída eventualmente a uma cota, mais alta, que permita criar ligações à freguesia. Seja como for, alguma coisa tem de ser feita. Não podemos continuar a adiar.
Na habitação, importa reconhecer o caminho que está a ser feito. As casas já entregues na Ponta do Sol e as que se seguirão nos Canhas são a melhor resposta que o Governo Regional podia dar àquela que é uma das maiores dificuldades dos jovens e da classe média: conseguir uma casa a um preço compatível com os seus rendimentos. Que o Governo continue, e muito bem, a investir na disponibilização de mais oferta pública de habitação no mercado para fazer equilibrar os preços para as famílias madeirenses.
Há ainda um enorme potencial por aproveitar entre o Lugar de Baixo e a Vila. A renaturalização da praia junto à antiga marina, a recuperação das piscinas lá existentes (somos talvez o único concelho da Madeira sem piscinas) e uma ligação pedonal, uma verdadeira promenade do Lugar de Baixo até à Vila, poderiam transformar totalmente aquela frente marítima. Dar-lhe uma nova cara, muito atrativa, e agradável aos locais e turistas, com grande potencial de investimento, como tem sublinhado Miguel Albuquerque nas suas intervenções públicas.
Sem esquecer, ainda no Lugar de Baixo, a abandonada Lagoa e toda a zona envolvente. Uma lagoa única na Madeira, com uma mistura de água doce e salgada, casa de espécies únicas, junto a uma frente mar que não deixa ninguém indiferente pela sua beleza. Que haja finalmente uma intervenção séria da tutela.
Honrar quem construiu a Ponta do Sol não é ficar a olhar para aquilo que foi feito. É termos a mesma ambição que eles tiveram. É passarmos das ideias aos actos.
Parabéns, Ponta do Sol! Temos 525 anos de história. O nosso dever é continuar a construí-la.