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A rede social

Quando a 4 de fevereiro de 2004, Mark Zuckerberg, Eduardo Saverin, Dustin Moskovitz, Chris Hughes e Andrew McCollum lançaram o Facebook na Universidade de Harvard, com o propósito de ligar os estudantes universitários através de um diretório online com os seus perfis e fotos, estava longe de imaginar a abrangência e a força que a rede social teria na sociedade atual.

Mas, como tudo o que cresce, de forma livre e ainda pouco regulada e fiscalizada, a rede social trouxe benefícios, mas também acarretou e continua a acarretar perversões, a maior das quais talvez seja a possibilidade de julgamentos públicos sem a preocupação pela verdade, sem o contraditório, sem regras, sem moral, com uma gritante falta de ética e muitas vezes sem a punição que, por exemplo, existe para os meios de comunicação tradicionais, orientados por legislação, códigos de ética e verificação da verdade dos factos.

Algo dito na rede social assume logo a condição de verdade, ainda que, muitas vezes, a coberto de anonimatos, ainda que muitas vezes com motivações que se mantêm encobertas, ainda que, não raras vezes, com uma prática da mentira militante e com uma desonestidade perversa.

Digamos que a rede social democratizou a opinião, mas também alastrou a maledicência, o julgamento sumário, a vingança, a injúria, a difamação.

Todos, em teoria, podem ser vítimas desta espécie de território sem lei, mas as mais expostas serão, porventura, as chamadas figuras públicas, com enfoque particular nos decisores e gestores políticos.

Recentemente chegado à política, choca-me a facilidade com quem se critica e ataca. A forma vil como se propagam teorias, acusações, assassinatos de caráter.

Será que alguma vez se pensou na possibilidade de toda a nossa ação humana ser julgada publicamente como se faz com os políticos. É que, em boa verdade, um político não é mais do que alguém que trabalha, exerce uma função, com um objetivo mais vasto do que aquele que está normalmente associado a uma qualquer outra atividade.

Será que a continuarmos neste caminho, as boas pessoas vão continuar a querer enveredar pela política com vontade de fazer bem a sua função, de fazer a diferença, de criar valor para um coletivo. Ou, dito de outra forma, o que restará para ocupar lugares de decisão quando os homens e a mulheres de boa fé desistirem de o fazer, porque o preço a pagar por isso é demasiado elevado, porque atentatório do seu bom nome e da sua honra?