O advogado confiante

24 Mai 2020 / 02:00 H.

A confiança pode ser obtida e cultivada mas, em primeiro lugar, tem de ser possuída pelo advogado na relação com o seu cliente.

No mundo da advocacia, a capacidade de se ser confiante e de desenvolver a confiança que os outros têm em si é uma enorme qualidade e virtude.

A “Justiça e probidade são as duas companheiras inseparáveis do advogado: cuidar disso como das pupilas dos olhos,” citando o patrono S. Ivo, por ocasião da data em que se comemora o dia do advogado.

O advogado exerce uma função ético-social e pública de administração da justiça e por isso, é um operador judiciário que assume um papel de vital importância na sociedade.

Neste actual contexto de crise epidemiológica, vigoram medidas excepcionais e temporárias de resposta à situação epidemiológica, provocada pelo coronavírus SARS-CoV-2 e da doença COVID-19, que vieram por à prova a confiança das pessoas na função dos advogados.

No actual contexto de pandemia, agudizaram-se os problemas económico-sociais, e, por isso, os advogados são obrigados a construir uma maior confiança e semear a paz social no desconforto, medo e conflitos instalados, que minam as relações pessoais, comerciais e profissionais.

Os advogados são obrigados a dominar e gerir estrategicamente o desconforto emocional e patrimonial das pessoas e das empresas, que foram severamente afectadas pela quebra acentuada dos seus rendimentos.

Além disso, o advogado tem uma profissão que o obriga a lutar constantemente e a tutelar os direitos e interesses dos seus constituintes.

Neste momento difícil, a advocacia assume-se como a “nobre e difícil profissão, porque a vida de um advogado é uma cadeia de cumes e baixios, varrida pelo vento agreste da incerteza e do risco, e às vezes, até da incompreensão.” (cito António Arnaut)

Na verdade, se olharmos para as características que os clientes mais desejam e procuram nos advogados são a competência, a honestidade, confiança e soluções, adequadas, proporcionais e justas, para prevenir e/ou resolver os seus problemas. Todas elas exigem que o advogado possua uma confiança genuína nele próprio, aliada a um trabalho de estudo e análise da Doutrina, da Jurisprudência e, sobretudo, uma correcta interpretação e aplicação da Lei aos casos concretos. Exercemos a advocacia, através da formação e prática, jurídicas, contínuas.

De facto, para se sair bem no exercício dos seus ofícios, é preciso assumir o leme e navegar no «mar», imenso e tumultuoso, de leis especiais que têm sido publicas e que derrogam as leis gerais. Este é o Advogado de Confiança!

O advogado cada vez terá de procurar captar os ventos da Justiça e conduzir os seus clientes a bom porto. É impossível os advogados prepararem-se formalmente para estes momentos de agonia, medo e desconfiança, crescente, que se instalaram no seio da nossa sociedade e que tendem a se alastrar por força da propagação do coronavírus.

Uma das maiores e mais simples revelações da minha vida profissional foi que a confiança está inteiramente nas minhas próprias mãos.

Ao longo do meu trabalho, enquanto advogado, tive – e continuo a ter - a sorte de formar, prestar serviços de aconselhamento jurídico e patrocínio forense, e de aprender com os colegas, clientes e demais entidades. O que continua a me surpreender, passados 16 anos nesta nobre profissão, é a humildade que os melhores possuem.

O que interessa é a resistência da confiança de um advogado, a capacidade de substituir oscilações inesperadas por altos e baixos controláveis, em que temos mais de cem diplomas legais, especiais, publicados neste estado de emergência e de calamidade pública, que contêm regras excepcionais e temporárias, por causa do coronavirus.

O Advogado precisa de uma confiança resistente.

Menezes de Oliveira