Somália recebe perdão de dívida e já pode aceder aos mercados 30 anos depois

26 Mar 2020 / 10:40 H.

O Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial anunciaram que a Somália cumpriu todos os requisitos para começar a receber um perdão de dívida, permitindo-lhe de imediato normalizar a relação com os mercados financeiros.

“Este perdão de dívida vai ajudar a Somália a fazer mudanças duradouras que beneficiem o seu povo, permitindo que a dívida seja irrevogavelmente reduzida de 5,2 mil milhões de dólares[4,7 mil milhões de euros], no final de 2018, para 557 milhões de dólares [509 milhões de euros] quando chegar ao ponto final da Iniciativa para os Países Pobres Altamente Endividados, daqui a três anos”, disse a diretora-geral do FMI, Kristalina Georgieva.

Depois de saldar as dívidas que tinha ao Banco Africano de Desenvolvimento, a Somália garantiu também uma ajuda financeira de 395 milhões de dólares junto do FMI ao abrigo dos programas de apoio desta instituição.

A Somália, um país com 15 milhões de habitantes, é o 37.º país a alcançar este ponto decisivo, e surge numa altura particularmente importante, marcada pela propagação da pandemia da covid-19, uma praga de gafanhotos e eleições no final do ano.

“A normalização das relações com a comunidade internacional vai reabrir o acesso da Somália a recursos financeiros internacionais essenciais para fortalecer a economia, ajudar a melhorar as condições sociais, tirar milhões de pessoas da pobreza e gerar emprego sustentável para os habitantes”, escreveu o FMI.

“O Governo e o povo da Somália estão muito agradados com a decisão do Banco Mundial e do FMI, que permite ao país voltar a envolver-se com as instituições financeiras internacionais; esta decisão é um marco importante, que apresenta amplas oportunidades para a Somália, que persegue incessantemente o processo de reforma e a agenda de recuperação e desenvolvimento”, disse o primeiro-ministro do país, Hassan Ali Khayre, citado no comunicado na página do FMI.

“Este caminho até este ponto obrigou a trabalho duro, dedicação e parceria, e o Governo quer expressar o seu apreço ao FMI, Banco Mundial e parceiros pelo incessante apoio e ao povo da Somália pela sua paciência e resiliência nesta jornada”, concluiu o governante.