Primeiro-ministro francês avisa que próximos 15 dias “vão ser mais difíceis”

29 Mar 2020 / 02:11 H.

O primeiro-ministro francês, Édouard Philippe, afirmou ontem que a única forma de vencer este período difícil decorrente da pandemia da covid-19 é com disciplina e concentração, e avisou que os próximos 15 dias “vão ser mais difíceis”.

“Os primeiros 15 dias de abril vão ser difíceis, mais difíceis do que os 15 dias [de quarentena] que estão a terminar”, declarou o primeiro-ministro, numa conferência de imprensa, em Paris, na qual intervieram vários especialistas.

Segundo Arnaud Fontanet, epidemiologista no Instituto Pasteur, que falou ao lado de Édouard Philippe, “só no fim da próxima semana é que vai haver um impacto das medidas de quarentena”, tomadas desde 16 de março, com a esperada diminuição da entrada de novos pacientes nos hospitais.

Ainda assim, o ministro da Saúde, Olivier Véran, anunciou que o número de camas nos cuidados intensivos vai subir para 14 mil até ao final de abril - há atualmente cerca de cinco mil camas, que até ao final da próxima semana vão passar a 8 mil.

Olivier Véran adiantou que a França encomendou mais de 1.000 ventiladores e que o país está a consumir 40 milhões de máscaras de proteção por semana, número acima do que tinha sido divulgado anteriormente.

Por isso, anunciou que foram encomendadas, no país e no exterior, cerca de mil milhões de máscaras, mantendo uma ponte aérea com a China para garantir a chegada rápida das máscaras.

Em França, a capacidade nacional de produção de máscaras é de oito milhões por semana e certas empresas na área do fabrico de papel estão mobilizadas para encontrar novas soluções para a produção de máscaras que possam ser usadas em meio hospitalar.

O ministro da Saúde abordou ainda a falta de determinados medicamentos, nomeadamente os fármacos usados na indução de comas, garantindo que os hospitais estão a gerir os seus ‘stocks’ com novas encomendas, mas que a procura de medicamentos “é global” e que os pedidos de alguns “aumentaram 2.000%”.

Sobre os testes à covid-19, que em França são feitos apenas aos pacientes de risco e aos casos graves que chegam ao hospital, Olivier Féran indicou que a França “encomendou cinco milhões de testes rápidos”.

“Isto vai permitir-nos passar a 30 mil testes diários no mês de abril e mais ainda em maio e junho”, garantiu o ministro.

Os lares são também uma preocupação e o ministro anunciou que vai pedir a estes estabelecimentos que instituam um isolamento individual nos quartos, acrescentando que os funcionários dos lares vão ser testados de forma prioritária.

Olivier Féran pediu ainda aos funcionários dos lares que evitem sair destes espaços. Há cerca de 700.000 franceses a viver em lares.

O primeiro-ministro referiu também que os apoios para ajudar as empresas, assim como as prestações sociais, vão ser reforçados neste momento de pandemia, informando que a trégua de inverno que não permite expulsar inquilinos ou cortar a eletricidade durante aquela época vai ser prolongada até 31 de maio.

“Precisamos proteger a economia não pelo prazer de a proteger, mas para tentar que esta crise sanitária não continue através de uma crise económica que nos vai ser prejudicial”, afirmou.

Édouard Philippe disse ainda que não deixa que “o desencorajamento faça parte das suas emoções”, e que a disciplina, a concentração e a inovação vão fazer com que o país saia desta crise.

“A França está armada e não está sozinha. E se nós conservarmos a esperança, vamos acabar por sair desta crise e continuar a construir o nosso país”, concluiu.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 600 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 28.000.