Papa recorda a Maduro que regime não aproveitou mediação do Vaticano

13 Fev 2019 / 12:30 H.

O papa recordou ao dirigente venezuelano Nicolás Maduro que o regime não aproveitou até agora as tentativas de mediação do Vaticano, respondendo a um novo pedido para que intercedesse visando encontrar uma saída para a crise no país.

Uma parte da carta de resposta ao pedido de mediação é divulgada hoje pelo diário Corriere della Sera.

Na carta, dirigida a Maduro e com data de 07 de fevereiro, Francisco recorda as várias vezes, nos últimos anos, que o Presidente venezuelano pediu e o Vaticano acedeu a “tentar encontrar uma saída para a crise venezuelana”.

“Infelizmente, todas foram interrompidas porque o que se tinha acordado nas reuniões não foi seguido por gestos concretos de aplicação”, escreveu o papa, segundo o jornal.

Francisco insiste, no entanto, que o diálogo é mais necessário do que nunca e reitera “a necessidade de evitar qualquer forma de derramamento de sangue”.

Na semana passada, quando regressava da sua visita aos Emirados Árabes Unidos, Francisco disse que, para haja uma mediação, “é necessária a vontade de ambas as partes”, manifestando-se disponível para ajudar quem o deseje.

A crise política na Venezuela agravou-se em 23 de janeiro, quando o líder da Assembleia Nacional, Juan Guaidó, se autoproclamou Presidente da República interino e declarou que assumia os poderes executivos de Nicolás Maduro.

Guaidó, 35 anos, contou de imediato com o apoio dos Estados Unidos e prometeu formar um governo de transição e organizar eleições livres.

Nicolás Maduro, 56 anos, no poder desde 2013, recusou o desafio de Guaidó e denunciou a iniciativa do presidente do parlamento como uma tentativa de golpe de Estado liderada pelos Estados Unidos.

A maioria dos países da União Europeia, entre os quais Portugal, reconheceu Guaidó como Presidente interino encarregado de organizar eleições livres e transparentes.

A repressão dos protestos antigovernamentais desde 23 de janeiro provocou já 40 mortos, de acordo com várias organizações não-governamentais.

À crise política soma-se a uma grave crise económica e social que levou 2,3 milhões de pessoas a fugirem do país desde 2015, segundo dados das Nações Unidas.

Outras Notícias