ONG denuncia detenção de 3.332 pessoas no Egipto em protestos contra presidente

09 Out 2019 / 18:41 H.

Pelo menos 3.332 pessoas foram detidas no Egito desde o início dos protestos contra o Presidente Abdel-Fatah al-Sissi a 20 de setembro, segundo um relatório hoje divulgado por uma organização não-governamental (ONG) do país.

O Centro Egípcio para os Direitos Económicos e Sociais (ECRF, sigla em inglês) condena as “detenções e prisões arbitrárias de manifestantes” que ocorreram em várias províncias do país, incluindo Cairo, Alexandria e Suez.

Entre os detidos encontram-se pelo menos 135 mulheres e 148 menores.

O relatório da ONG menciona que 2.648 dos detidos foram levados perante o Ministério Público, sendo acusados de fazer parte de um grupo terrorista para difundir notícias e informações falsas, usar páginas da internet para cometer um crime que ameaça a segurança e a paz pública e manifestar-se sem permissão.

As autoridades locais promulgaram a detenção preventiva de 2.414 acusados, libertaram 234 pessoas com acusações formuladas e outras 89 sem acusações.

As restantes pessoas estão em paradeiros desconhecido, sendo que as autoridades ainda não forneceram informações sobre as mesmas.

Os protestos contra o Presidente al-Sissi começaram no dia 20 de setembro na capital do Egito e noutras cidades do país, atingindo este sábado a cidade portuária de Suez, exigindo a demissão do líder egípcio.

Apesar de reunirem apenas algumas centenas de pessoas, estes protestos foram os primeiros significativos contra al-Sissi desde 2016.

O Governo do Egito acusou “forças externas” de quererem enganar os egípcios para os colocar contra o país, nomeando a Irmandade Muçulmana, considerada uma organização terrorista desde 2013.

As manifestações resultam de uma campanha ‘online’ conduzida por um empresário egípcio radicado em Barcelona que tem criticado a corrupção no Egito. Mohammed Ali divulgou uma série de vídeos falando de corrupção no governo e nas forças armadas, embora não apresente provas.

Após os protestos, as autoridades do país desencadearam uma série de detenções e tomaram medidas como a suspensão do canal árabe da BBC e outros meios pela internet.

A velocidade de navegação na Internet também diminuiu e o acesso a algumas aplicações foi restringido.

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