Jornalismo na Venezuela está limitado e bloqueado

13 Jun 2019 / 23:10 H.

A actividade jornalística na Venezuela esteve limitada durante o passado mês de maio, havendo ainda a registar o bloqueio de vários portais ‘web’, a suspensão temporária do acesso á Internet e limitações no acesso dos jornalistas ao parlamento.

Segundo a Organização Não Governamental (ONG) “Espaço Público”, que analisa a evolução dos direitos humanos e da liberdade de expressão na Venezuela, durante o mês de maio foram registadas “114 denúncias de violações ao direito à liberdade de expressão” que afetaram 60 entidades, principalmente jornalistas (29 denúncias) e jornais (13).

Foram ainda registados seis casos de bloqueio de plataformas ‘web’ “especialmente em momentos em que o presidente” do parlamento, o opositor Juan Guaidó, “realizava atividades nas ruas ou discursos públicos”.

“Os principais responsáveis pelas violações da lei continuam a ser os órgãos de segurança, instituições e funcionários públicos”, é referido num relatório da Espaço Público (EP).

Segundo a EP, em 01 de maio ocorreram “12 violações à liberdade de expressão”. Nesse dia Juan Guaidó convocou protestos nas ruas, em várias zonas do país, e “o padrão de violação” foi “o ataque a jornalistas durante a cobertura”.

“Feridas de ‘perdigón’ [balas de borracha], roubos e agressões físicas de parte de funcionários de ordem pública foram os casos mais comuns”, lê-se ainda no relatório.

A EP insiste que, “atualmente, na Venezuela, a função informação supõe riscos físicos para os jornalistas e repórteres gráficos” e que “não é normal que, no trabalho de buscar de difundir informação, os trabalhadores da imprensa sejam insultados ou feridos, como aconteceu a 01 de maio em várias zonas do país”.

“Altamira [leste de Caracas] foi o centro das manifestações em Caracas. Nesta zona, oficiais de segurança do Estado, dispararam contra os jornalistas que realizavam a cobertura”, é referido no comunicado, que explicita que um jornalista foi ferido quando cobria confrontos entre civis e grupos armados e um repórter de imagem foi retido e ferido por um funcionário.

Ocorreram ainda agressões em Lara e em Carabobo (centro do país).

Em Caracas, oficiais da Guarda Nacional Bolivariana (polícia militar) impediram o acesso dos jornalistas ao parlamento, durante todo um mês. Em 30 de maio, depois de sem sucesso tentarem entregar uma carta, os jornalistas entraram à força.

Durante quatro semanas, nas proximidades do parlamento, os jornalistas foram insultados por grupos de civis afetos ao regime de Nicolas Maduro.

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