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Grupo guerrilheiro colombiano anuncia cessar-fogo como “gesto humanitário”

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O Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou no domingo um cessar-fogo “unilateral ativo” entre 01 e 30 de abril, como um “gesto humanitário” devido à pandemia da covid-19 na Colômbia, que já registou 702 casos.

O grupo guerrilheiro garantiu que uma das razões que o levou a declarar um cessar-fogo unilateral ao longo de abril foi o apelo que o secretário-geral da ONU, António Guterres, fez em 23 de março para um cessar-fogo mundial em todas as guerras para ajudar a lidar com o novo coronavírus, segundo um comunicado do ELN.

Da mesma forma, o grupo levou em conta o pedido do representante especial do secretário-geral da ONU na Colômbia, Carlos Ruiz Massieu, que pediu esta semana um “cessar-fogo” no país para unir esforços e “reduzir o risco de propagação do vírus” e de infeção, especialmente às comunidades mais vulneráveis”.

“O cessar-fogo está ativo porque nos reservamos o direito de nos defendermos contra ataques das forças estaduais, compostas por tropas regulares, paramilitares e grupos de traficantes em várias regiões do país”, disseram ainda os guerrilheiros no comunicado, cuja autenticidade não foi ainda confirmada.

O grupo guerrilheiro ELN também solicitou uma reunião dos representantes do Governo do Presidente colombiano, Iván Duque, com os seus delegados nas negociações de paz - que estão suspensas - para buscar um cessar-fogo mais amplo.

“Durante este mês de cessar-fogo unilateral, pedimos ao Governo de Duque que se encontre com a nossa delegação de diálogo presente em Havana para organizar um cessar-fogo bilateral e temporário. Para esses esforços, é conveniente ter a presença dos países mediadores”, acrescentou o comunicado.

O anúncio do ELN também foi feito horas depois de o Governo colombiano anunciar a designação dos ex-líderes guerrilheiros Carlos Arturo Velandia, conhecido como “Felipe Torres”, e Gerardo Antonio Bermúdez, conhecido como “Francisco Galán”, como “promotores da paz”.

No comunicado, o grupo armado faz uma série de declarações sobre a situação mundial da covid-19, após as quais apresenta as suas exigências, contidas em 15 pontos, um dos quais é o encontro de seus delegados com os do Governo colombiano em Cuba.

Essas exigências são basicamente de ordem económica e social, para que os colombianos possam superar as restrições impostas pela quarentena obrigatória de 19 dias ordenada pelo Governo e conter a pandemia.

“Que o Governo forneça gratuitamente o teste de confirmação do contágio, suprimentos médicos e medicamentos para impedir a disseminação do novo coronavírus”, afirma um dos pontos.

A última vez que o ELN fez um cessar-fogo unilateral foi na Páscoa do ano passado, entre 14 e 21 de abril.

O ELN iniciou negociações de paz com o governo colombiano anterior em fevereiro de 2017 em Quito, que em maio de 2018 foram transferidas para Havana, onde a última ronda de diálogos foi concluída sem progresso no início de agosto daquele ano.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 697 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 33.200.

Dos casos de infeção, pelo menos 137.900 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

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