Estados Unidos acusam Governo venezuelano de manipular dados da pandemia

22 Mai 2020 / 14:31 H.

Os Estados Unidos acusam o Governo venezuelano de estar a manipular os números da pandemia de covid-19, subestimando a gravidade da situação naquele país da América do Sul.

“Com pouca água, com poucos recursos médicos, sem distanciamento social, como é possível que a Venezuela registe menos de 10 mortos com covid-19?!” interrogava-se Carrie Filipetti, assistente adjunta da secção de negócios do hemisfério ocidental do Departamento de Estado norte-americano.

A diplomacia dos EUA considera que os números do combate à pandemia de covid-19 na Venezuela estão a ser falsificados pelo regime do Presidente Nicolas Maduro, que acusam de irresponsabilidade e de falta de transparência na crise sanitária.

“A arma mais importante na luta contra o novo coronavírus é a transparência na informação. Muitos países, felizmente, estão a cooperar nessa partilha transparente de informação. Infelizmente, não é o caso da Venezuela”, acusou Filipetti, numa videoconferência que a Lusa acompanhou.

A responsável do Departamento de Estado disse que os números de casos de infeção e de morte com covid-19 na Venezuela são “uma fabricação das autoridades”, para construir a narrativa de eficácia no combate à pandemia, falando em apenas algumas centenas de casos de contaminação e menos de 10 mortes.

“Tal como o Governo da China e o Governo de Cuba, as autoridades da Venezuela estão a manipular os números da pandemia. E isso deve ser denunciado”, explicou Carrie Filipetti.

“Mas o mais importante agora é conseguir fazer chegar a ajuda aos milhares de venezuelanos que estão sem qualquer apoio do seu Governo, totalmente desamparados perante uma tragédia de grande dimensão”, disse Filipetti, a propósito de uma Conferência de Doadores Internacionais em solidariedade com os refugiados e migrantes venezuelanos, organizada pela União Europeia e pelo Governo espanhol, que conta com o apoio de mais de 40 países.

A Conferência decorre na próxima terça-feira, em formato virtual, dando resposta a um apelo feito por mais de 150 organizações, de 17 países, que estão preocupadas com as consequências da pandemia na Venezuela, perante a apatia do Governo de Caracas.

“A Venezuela está numa situação crítica e única. É urgente apoiar os milhares de migrantes e refugiados que estão sem ajuda”, disse a responsável da diplomacia norte-americana, comparando este caso à situação dos refugiados sírios.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou quase 330 mil mortos e infetou mais de 5,1 milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Mais de 1,9 milhões de doentes foram considerados curados.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

Depois de a Europa ter sucedido à China como centro da pandemia em fevereiro, o continente americano passou a ser o que tem mais casos confirmados (mais de 2,3 milhões contra perto de dois milhões no continente europeu), embora com menos mortes (mais de 136 mil contra mais de 171 mil).

Para combater a pandemia, os governos mandaram para casa 4,5 mil milhões de pessoas (mais de metade da população do planeta), paralisando setores inteiros da economia mundial, num “grande confinamento” que vários países já começaram a aliviar face à diminuição dos novos contágios.