Bruxelas revê em baixa previsão económica europeia devido a “clima de incerteza”

08 Nov 2018 / 10:30 H.

A Comissão Europeia agravou hoje a revisão em baixa do ritmo de crescimento económico europeu este ano e que se acentuará nos próximos dois anos, nomeadamente devido ao clima de incerteza no comércio internacional e preços do petróleo.

Segundo as Previsões Económicas de Outono, hoje divulgadas, depois de, em 2017, a zona euro ter registado um máximo de dez anos (2,4%), a economia dos países da moeda única deverá abrandar para os 2,1% do Produto Interno Bruto (PIB), tendência que se prevê que se acentue em 2019 (1,9%) e 2020 (1,7%).

Na União Europeia (UE), Bruxelas prevê que se repita o padrão da zona euro, com uma quebra dos 2,4% de crescimento económico em 2017 para 2,2% este ano, 2,0% em 2019 e 1,9% em 2020.

Se se tiver em conta o Reino Unido -- que abandona o bloco europeu em 29 de março de 2019 -- o PIB a 28 deverá crescer 2,1% este ano, 1,9% em 2019 e 1,8% em 2020.

Em julho, nas Previsões Económicas do Verão, o executivo comunitário tinha já antevisto um abrandamento do crescimento económico europeu em 2018, 2019 e 2020 e advertia para os riscos de nova revisão em baixa, que agora se confirma.

No exercício macroeconómico do outono, Bruxelas destaca que “a incerteza global crescente, as tensões no comércio externo e a subida dos preços do petróleo terão um efeito amortecedor no crescimento da Europa”.

Numa nota mais positiva, as previsões estimam que o consumo privado irá acompanhar a subida de salários e medidas de alívio fiscal em alguns Estados-membros e que, “pela primeira vez desde 2007, o investimento deverá aumentar em todos os Estados-membros em 2019”.

Considerando todos os fatores, a Comissão Europeia conclui que o PIB continuará a aumentar na zona euro e UE, a um ritmo mais lento.

Bruxelas estima que o défice público recue este ano na zona euro para os 0,6% do PIB, aumentando em 209 para os 0,8% e voltando a descer em 2020 para os 0,7%, tendo sido de 1,0% do PIB em 2017.

Na UE, a tendência é para um recuo no défice dos 0,8% do ano passado para os 0,6% este ano, voltando a agravar-se em 2019 (0,8%) e a recuar em 2020 (0,6%).

A dívida pública da zona euro deverá continuar a diminuir, passando este ano, para os 86,9% do PIB, para os 84,9% em 2019 e os 82,8% em 2020 (88,9% em 2017).

No conjunto dos 27 Estados-membros, a dívida também manterá a tendência em baixa, depois de 2017 ter fechado com um serviço de dívida de 82,6%, estimando-se que chegue aos 80,6% do PIB este ano, 78,6% em 2019 e os 76,7% em 2020.

A taxa de desemprego deverá continuar a recuar para os 8,4% este ano, 7,9% em 2019 e 7,5% em 2020 na zona euro (face aos 9,1% de 2017).

Na UE, o indicador, depois de se ter fixado nos 8,2% em 2017, estima-se que desça para os 7,4% este ano, os 7,0% no próximo e os 6,6% em 2020.

No que respeita à inflação, os preços deverão aumentar a um ritmo mais acentuado em 2018 (1,8%, face aos 1,5% de 2017), que se manterá em 2019, devendo abrandar em 2020 (1,6%), na zona euro.

Na UE, a taxa de inflação irá subir este ano para os 1,8% (1,6% em 2017), para os 1,9% em 2019 e abrandar para os 1,7% em 2020.

O comissário europeu para os Assuntos económicos e Financeiros, Pierre Moscovici, salientou que “num ambiente internacional cada vez mais incerto, os decisores políticos em Bruxelas e nas capitais nacionais devem trabalhar para assegurar que a zona euro é suficientemente forte para lidar com o que seja que o futuro nos reserve”.