Autarca de Joanesburgo demite-se e abandona o maior partido da oposição sul-africana

21 Out 2019 / 12:18 H.

O autarca da cidade de Joanesburgo e político do maior partido da oposição na África do Sul, Herman Mashaba, anunciou hoje que renunciou ao partido Aliança Democrática (DA, sigla em inglês) e ao cargo municipal.

“O DA aprovou uma resolução este domingo no conselho federal do partido questionando o papel do partido na coligação de governação municipal de que faço parte, e a forma como essa decisão foi comunicada”, disse em conferência de imprensa Herman Mashaba, na Câmara Municipal de Joanesburgo.

Mashaba defendeu que as “coligações (políticas) são o futuro da África do Sul” e afirmou que “há membros no DA que acreditam a raça é relevante na discussão em torno do combate à desigualdade e pobreza em 2019”.

“É por esse motivo que convoquei esta conferência de imprensa para anunciar a minha renúncia do DA. Não continuarei como vereador do partido e, como tal, não poderei continuar a ser autarca. [...] Tive de escolher entre o meu partido e o meu país”, declarou Mashaba.

“Não consigo aceitar que a África do Sul é hoje um país mais desigual do que era em 1994. Não consigo aceitar que haja pessoas que não entendem que temos um dever patriótico de derrubar o ANC do poder e salvar o nosso país antes que seja demasiado tarde”, afirmou.

Mashaba disse que a sua demissão é efetiva em 27 de novembro.

O autarca de Joanesburgo, capital da província de Gauteng, motor da economia mais industrializada de África, sublinhou que deixa a autarquia “em situação financeira saudável com um balanço positivo de 5,3 mil milhões de rands (321 milhões de euros) em reservas em dinheiro e um fundo financeiro avaliado em 2,7 mil milhões de rands (163,5 milhões de euros)”

A demissão de Herman Mashaba ocorre 24 horas depois da nomeação, no domingo, da antiga líder do DA Helen Zille para o cargo de presidente do concelho federal daquela formação política.

“Aderi à Aliança Democrática porque não conseguia aguentar mais ver o meu país a ser desintegrado pela corrupção, fracasso e arrogância do Congresso Nacional Africano (ANC)”, salientou Mashaba ao anunciar a sua demissão.

Todavia, acrescentou, “o DA deixou de ser o partido que pode dar ao país uma sociedade inclusiva e substituir o ANC na governação do país”.

Antes da eleição do concelho federal do maior partido na oposição, Mashaba disse que deixaria o partido se “elementos da direita” assumissem a liderança daquela formação política.

Mashaba criticou o seu próprio partido, que considera ser o “mais difícil” no governo de coligação em Joanesburgo.

Observadores acreditam que a demissão de Herman Mashaba representa uma estratégia de reorganização do DA com vista a ser oposição “mais forte e eficiente” ao ANC, o partido no poder desde 1994.

Em agosto de 2016, o Congresso Nacional Africano (ANC) obteve 44,5% e 121 mandatos no conselho municipal de Joanesburgo, mas não alcançou a maioria.

Os partidos minoritários votaram com o DA, segundo partido mais votado com 38,4% (104 mandatos), na eleição de Herman Mashaba, tendo sido o primeiro edil da Aliança Democrática fora da Cidade do Cabo.

A coligação de governação do DA integra o Economic Freedom Fighters (EFF, sigla em inglês), partido de esquerda radical do líder dissidente do ANC, Julius Malema - terceiro mais votado com 11,1% (30 mandatos) e o Inkatha Freedom Party (IFP, sigla em inglês) com 1,7% (cinco mandatos).

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