BE quer explicações da Ministra do Mar sobre mudança de atitude em relação ao ferry

14 Jan 2019 / 12:41 H.

O coordenador Regional do BE diz que a ministra do Mar deveria esclarecer os madeirenses sobre os motivos da sua “mudança de atitude em relação ầ ligação ferry”. Em causa está, segundo Paulino Ascenção, o facto de a Ministra ter recusado, durante muito tempo, a necessidade desta ligação, não lhe tendo reconhecido utilidade, e depois da adjudicação do concurso ao grupo Sousa para efectuar um pacote anual de 12 viagens por 3 milhões de Euros, “passou a mostrar abertura para apoiar a ligação ferry, tendo estado presente em Portimão para a recepção oficial e visita ao navio, numa cerimónia para celebrar um acontecimento para o qual em nada contribuiu”.

Na sua passagem pela Madeira, o BE acha estranho que a Ministra tenha reafirmado que o Governo central está a estudar as modalidades de apoio a esta ligação e gostaria que esta mudança de posição fosse esclarecida, nomeadamente, “em que medida o facto de o grupo Sousa ter sido o escolhido pelo Governo Regional para explorar a ligação contribuiu para tamanho volte-face”.

Paulino Ascenção relembra que a Ministra do Mar foi confrontada em vários momentos sobre a ligação ferry pelo Bloco de Esquerda na Assembleia da República e mostrou “total desinteresse pela ligação e pelas denúncias sobre os obstáculos artificiais criados pelo Governo Regional que levaram ao fim da operação da Naviera Armas em 2011”. Adianta ainda que Ana Paula Vitorino usou, nas suas respostas, os mesmos argumentos ventilados pelo Governo Regional e pelo grupo Sousa, da “fraca sustentabilidade da ligação e da concorrência desleal que o ferry teria feito aos porta-contentores”.

Tendo a ministra veio participar num evento do PS sobre a economia do mar, o bloquista diz que por ser um assunto fundamental para a Madeira, os madeirenses aguardam mudanças como o fim do monopólio na exploração do porto do Caniçal e no transporte marítimo de mercadorias. “Os sinais que vemos do PS não são de mudança, mas sim de continuidade da mesma política do PSD de subserviência aos interesses privados, de continuar a proteger o monopólio que asfixia a economia regional e encarece o custo de vida dos madeirenses”, acusa Paulino Ascenção advertindo para o facto de o PS exigir maior concorrência nas ligações aéreas para a Madeira e não exigir o mesmo nas ligações marítimas “por não ver necessidade de concorrência no transporte de carga”, mostrando-se “confortável com a situação actual de monopólio”.

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