Novo livro de Mia Couto é publicado em Outubro e tem o ´Universo num Grão de Areia´

14 Set 2019 / 00:04 H.

O próximo livro de Mia Couto, “O Universo num Grão de Areia”, é uma colectânea de “textos de intervenção cívica” do autor moçambicano, e chega às livrarias no próximo dia 8 de Outubro, anunciou esta sexta-feira o grupo Leya.

Publicado pela editorial Caminho, “O Universo num Grão de Areia” reúne textos publicados em diversos meios de comunicação social, ou escritos para diferentes audiências e situações, em que o escritor e biólogo aborda “temas que vão da política à literatura e da cultura à antropologia e biologia”, fazendo uso da “sensibilidade poética que o caracteriza”.

“O percurso da minha vida faz de mim uma criatura de múltiplas fronteiras”, escreve Mia Couto no novo livro, citado pela editora. “Sou um africano filho de europeus. Sou um escritor numa nação que vive na oralidade. Sou um poeta que trabalha como cientista, sou um ateu numa sociedade profundamente religiosa. Nasci num tempo de charneira, entre uma pátria que nunca houve e uma nação que ainda está nascendo. Esta nação nascente é uma simbiose de culturas e línguas diversas e integra vários modos de entender e sentir o mundo”.

Os textos presentes em “O Universo num Grão de Areia” têm múltiplas origens: “Uma conferência no Estoril, um artigo no [jornal britânico] The Times, discursos numa universidade do estado norte-americano de Oklahoma e numa universidade moçambicana de Maputo”.

“Trata-se de um livro em que prevalece a reflexão crítica de um autor de ficção”, que consegue reinventar o seu universo sem abdicar da sua “missão de pensar o mundo”, conclui o grupo Leya.

A publicação de “O Universo num Grão de Areia” acontece cerca de um mês após o aparecimento de “O Terrorista Elegante”, na Quetzal Editores, do grupo Bertrand, que reúne o escritor moçambicano ao angolano José Eduardo Agualusa, em três novelas curtas, “cheias de humor e ‘suspense’”.

Mia Couto, nascido em Moçambique em 1955, tem publicada obra em poesia, conto, crónica e romance.

Prémio Camões em 2013, é autor, entre outros, de “Jerusalém”, “O Último Voo do Flamingo”, “Vozes Anoitecidas”, “Estórias Abensonhadas”, “A Varanda do Frangipani”, “A Confissão da Leoa” e “Terra Sonâmbula”, que marcou a sua estreia no romance, em 1992, tendo sido eleito “um dos doze melhores livros africanos do século XX”, pela Feira Internacional do Livro do Zimbabué.

Para os mais novos escreveu títulos como “A Chuva Pasmada”, “O Outro Pé da Sereia” ou “A água e a águia”, publicado em 2018, com ilustrações de Danuta Wojciechowska.

O mais recente romance de Mia Couto é “O Bebedor de Horizontes”, de 2017, terceiro volume da trilogia “As areias do imperador”, que sucedeu a “Mulheres de cinza” (2015) e “A espada e a azagaia” (2016).

No final do ano passado, estreou a peça de teatro “Netos de Gungunhana”, com a companhia portuguesa O Bando.

Na altura, em entrevista à agência Lusa, disse estar a preparar um novo romance, com foco na Beira, em Moçambique, a cidade da sua infância - a cidade para a qual mobilizou meios, através da sua fundação, a Fundação Fernando Leite Couto, para ajuda humanitária, na sequência da destruição provocada pelo ciclone Idai, no passado mês de março.

Além do Prémio Camões Mia Couto recebeu, entre outros, o Prémio Eduardo Lourenço, em 2011, o Prémio União Latina de Literaturas Românicas em 2007, e o Prémio Vergílio Ferreira, em 1999, atribuídos pelo conjunto da sua obra.