Fugaz e o Absurdo
A questão é que é mentira: o Governo Regional já investiu, em 2008, 34 milhões em expropriações
Na ombreira da porta que dava acesso à cozinha da casa de Frida Kahlo e Diego Riviera houve uma questão que me prendeu a atenção. Nela podia ler-se uma citação atribuída a Frida: “O que seria de mim se não fosse o Absurdo e o Fugaz?”
Aquela frase deteve-me. Não porque a considerasse familiar, ou que se aplicasse à minha vida, ou a alguma circunstância em concreto, mas porque me transportava subconscientemente para algum lugar/alguém. Detive-me, por momentos, nessa reflexão e, rapidamente, concluí de quem me lembrara.
Caro leitor, antes de lhe anunciar, peço-lhe que reflita comigo se isto não lhe faz lembrar alguém: andam por aí alguns que dizem ser pela transparência, mas a primeira coisa que fazem é produzir ajustes diretos no valor de 400 mil euros a sociedades de advogados do seu partido. Andam por aí outros, dessa mesma família, que dizem que vão aos centros de decisão europeus reunir e fazer valer “a voz da Madeira”, mesmo que a viagem seja ao fim de semana e não esteja lá ninguém. Ainda sobram alguns, que dizem querer construir 500 casas por ano, mas no sítio onde governam não construíram nem 5, nem 3, nem 1, na verdade nenhuma. E não venham dizer que a culpa é de quem governou Santa Cruz até 2013, já lá estão há 13 anos o que pelas vossas próprias contas daria para construir 6500 casas (500x13=6500). E há aqueles que dizem que o Governo gastará - tome nota do verbo no futuro - 50 milhões de euros com o Campo de Golfe da Ponta do Pargo. A questão é que é mentira: o Governo Regional já investiu, em 2008, 34 milhões em expropriações.
Se quisermos falar de futuro, importa dizer que não se gastará - do erário público - um valor muito superior a 10 milhões de euros que é sensivelmente metade daquilo que se prevê que aquela Infraestrutura deixe na economia da Ponta do Pargo anualmente, a partir da conclusão da obra. Só mais um exemplo: há uns partidos na oposição que dizem que o Governo quer “esbanjar os recursos dos madeirenses”, pois bem, esses senhores não devem conhecer quem é que durante anos litigou em todas as instâncias judiciais para roubar o parque empresarial da cancela à Região, esbulhando património regional para a esfera de alguns. Faz ideia de quem possa ter sido, caro leitor?
Este texto não pretende deter-se sobre a pertinência ou não desses investimentos, antes sim debruçar-se por uma circunstância “sui generis” da política madeirense. Em norma, em qualquer sítio do mundo, a oposição é mais ambiciosa do que quem governa. Querem devolver mais impostos, fazer mais obras, melhorar mais os serviços públicos tudo com menos contribuição do cidadão e com mais vontade e amplitude do que quem governa.
Na Madeira é ao contrário: o Governo Regional baixa os impostos, tem serviços públicos com melhor qualidade que os nacionais e tem projetos de índole regional em todos os concelhos, que se agigantam no valor diferenciado que trazem e na pertinência que têm para cada concelho.
E o que é que a oposição faz? Pede para não fazer. E são vários os exemplos: após o 20 de fevereiro, o Governo Regional quis canalizar as ribeiras revestindo-as com betão. Para a oposição foi logo “nem pensar, isso é um crime arquitectónico”. Hoje alguém questiona a utilidade dos investimentos feitos em segurança? Quantas cheias já se preveniram? Quantas vidas se salvaram?
Durante anos a oposição foi contra a política das vias de acesso aos 11 concelhos. Era já eu deputado e toda a oposição votou contra os orçamentos que previam a conclusão da via expresso até ao Arco de São Jorge. Hoje, alguém questiona o mérito e importância destas vias de acesso para o Norte?
Estes exemplos são paradigmáticos daquilo que é a nossa oposição: no papel eles são contra tudo, quando as obras estão concluídas sempre foram a favor tendo sempre batido palmas.
Dizem ser sérios e transparentes, mas à primeira oportunidade são eles que concretizam aquilo que tanto criticam nos outros. “Bem prega Frei Tomás: faz o que ele diz, não faças o que ele faz”.
Caro leitor, no fundo, aquilo que lhe transmito é que, de forma geral, a nossa oposição tem tanto de absurdo como de fugaz. Criticam o óbvio não pelo mérito das causas, mas sim por quem as propõe. Por isso, fazem um exercício de ginástica política sui generis: em regra são contra os orçamentos, mas abstém-se nos planos de investimentos desses orçamentos. Do estilo: “eu não sou contra a obra, mas sou contra gastar-se dinheiro nessa obra”, já viu o quão absurdo é?
E são fugazes porque todas as razões pelas quais são contra, esfumam-se quando vêem que a população concorda, ou quando as redes sociais mudam a opinião sobre o tema.
Quanto à Frida Kahlo não sei, mas quanto a mim estes senhores, que têm tanto de absurdo como fugaz, não me fazem falta nenhuma.