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Ex-ministro de Sánchez começa a ser julgado por corrupção

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O ex-dirigente do Partido Socialista Espanhol (PSOE) e antigo ministro José Luis Ábalos começa a ser julgado na terça-feira, em Madrid, num dos casos de alegada corrupção que atingem o líder do Governo de Espanha.

Ábalos, o antigo assessor Koldo García e o empresário Victor de Aldama vão sentar-se no banco dos réus por suspeitas de corrupção com contratos de compra de máscaras e outro material sanitário por organismos e empresas públicas durante a pandemia da covid-19.

Estão acusados de suborno, tráfico de influências, desvio de dinheiro público, integração em organização criminosa, uso e aproveitamento de informação privilegiada, falsificação e prevaricação, de acordo com um comunicado do Tribunal Supremo de Espanha, a instância que os vai julgar por os alegados crimes terem ocorrido quando Ábalos era ministro, com a pasta dos Transportes.

O Ministério Público argumentou que os três, aproveitando a posição que José Luis Ábalos e Koldo García tinham então no Governo e no PSOE, levaram organismos públicos e empresas públicas a comprar material sanitário durante a pandemia e obtiveram comissões ilegais.

Para o ex-ministro, o Ministério Público pediu 24 anos de prisão e para o assessor 19,5 anos. Para Victor Aldama, pediu sete anos, por o empresário ter colaborado com a justiça.

José Luis Ábalos e Koldo Garcia estão em prisão preventiva desde o ano passado, enquanto Victor de Aldama aguarda o julgamento em liberdade.

Vão ser ouvidas 75 testemunhas e perto de 20 peritos no julgamento, que tem sessões agendadas até 30 de abril.

Entre as testemunhas chamadas pelo tribunal estão o ministro de Política Territorial e Memória Democrática, Victor Ángel Torres, e a presidente do Congresso dos Deputados (parlamento), Francina Armengol.

Torres e Armengol, que deverão testemunhar por escrito, presidiam, na altura dos alegados crimes, aos governos regionais das Canárias e das Baleares, duas administrações que compraram material sanitário através de contratos agora sob suspeita.

Outras testemunhas que deverão passar pelo tribunal são a presidente do Tribunal de Contas, Enriqueta Chicano, ex-presidentes de várias empresas públicas, um ex-secretário de Estado, o diretor geral da Polícia Nacional e antigos chefes de gabinete dos Ministérios da Saúde e da Indústria.

Esta investigação originou outro processo mais alargado, ainda em investigação, em que estão em causa suspeitas de corrupção na cúpula do PSOE, relacionadas com eventuais comissões na adjudicação de obras públicas.

Nesta parte alargada do caso são alvo da investigação José Luis Ábalos, Koldo García e outro ex-dirigente socialista Santos Cerdán.

Ábalos foi ministro entre 2018 e 2021 e, perante as suspeitas de corrupção, foi expulso do PSOE em 2024.

Santos Cerdán foi o "número 3" do PSOE, em substituição de Ábalos, entre 2017 e junho passado e foi também o homem que negociou com os independentistas catalães a amnistia que assegurou a reeleição de Pedro Sánchez como primeiro-ministro em 2023.

Deixou a direção do partido e o parlamento espanhol, onde era deputado, em junho, quando foi detido. Após alguns meses em prisão preventiva, foi libertado.

Ábalos e Santos Cerdán eram considerados dois dos dirigentes do PSOE mais próximos de Sánchez, por formarem parte do núcelo duro que o acompanhou no percurso até à liderança do PSOE e do Governo.

O caso de Santos Cerdán abriu, em junho, uma crise em Espanha que analistas, dirigentes partidários e imprensa chegaram a considerar, quase unanimemente, que colocava em risco a sobrevivência política de Pedro Sánchez.

O primeiro-ministro e líder do PSOE reconheceu haver "indícios muito graves" de corrupção envolvendo Cerdán, um dos seus homens de confiança, e pediu desculpa e perdão aos espanhóis e aos militantes do partido, mas tem reiterado que o PSOE é "uma organização limpa" e não há suspeitas de financiamento ilegal do partido.