Entrou pela primeira vez na então Assembleia Regional em 1985, com 26 anos, a substituir Cabral Fernandes e pouco tempo depois era líder do CDS. Cargo que iria exercer durante os anos mais intensos do confronto político regional e da consolidação do processo autonómico.
Ricardo Vieira começou sozinho plenário, ainda no edifício do Governo Regional, na Avenida Zarco e procurou deixar uma marca própria, com um estudo pormenorizado de todos os diplomas. Com isso ganhou o respeito dos adversários.
Tinha 15 anos quando se dá a Revolução dos Cravos de 25 de Abril de 1974, aluno do antigo 5º ano, no Liceu de Jaime Moniz , era um dos filhos de Rui Vieira, o engenheiro agrónomo que presidia à Junta Geral do Distrito Autónomo do Funchal e que já tinha sido deputado à Assembleia Nacional, na década de 60. Numa casa tradicional madeirense, ainda antes da Revolução, falava-se de política e, como recorda, até ouviam as emissões radiofónicas da BBC e da Voz da Alemanha. Algo que, como recorda na entrevista que se encontra no espaço de podcast do DIÁRIO, fez com que já tivesse alguns sinais de que poderia haver uma mudança de regime em Portugal.
É assim que, muito novo, Ricardo Vieira se vê envolvido em debates políticos no Liceu em que já surgiam alguns dos que, mais tarde, seriam políticos activos, em diversas forças partidárias.
Presidiu a uma Reunião Geral de Alunos e foi um dos que se opisuram à ocupação do Seminário da Calçada da Encarnação que seria feita por estudantes do Liceu.
É já na Universidade Católica, onde frequenta o primeiro curso de Direito, que tem contacto mais efectivo com a realidade política do país, ao mesmo tempo em que a Madeira vive os anos de maior tensão, com um confronto político permanente.
Regressado à Madeira, já em 1984 adere ao CDS que entretanto consolidou a presença, sobretudo, nos concelhos do Norte da Madeira e que tinha sido liderado por Baltazar Gonçalves e Cabral Fernandes.
Assumiu o lugar de deputado na Assembleia Regional, pela primeira vez, em 1985, em substituição de Cabral Fernandes. Era o único deputado do CDS e tinha ainda 26 anos.
Liderou o CDS, sobretudo na década de 1990, anos de grande confronto partidário, com o parlamento a registar uma intensidade do debate que marcou esses tempos de construção da Autonomia.
O CDS foi oposição clara ao PSD, nomeadamente nas autarquias e chegou a concorrer em coligações com o PS que registaram resultados eleitorais interessantes. Foi vereador no Funchal.
Entre as muitas acções políticas que liderou, merece referência a candidatura do seu pai, Rui Vieira, ao Parlamento Europeu, como independente.
Depois de deixar a liderança do partido, nos anos finais do século XX, sendo sucedido no cargo por José Manuel Rodrigues, só voltaria a ser eleito, já em 2015, como ‘número dois’ da lista centrista. Não terminou o mandato e renunciou em 2017.
Desde então dedica-se à sua actividade profissional de advogado, embora continue a ser comentador assíduo da vida política regional, em vários meios de comunicação. No CDS continua a ser uma referência e tem representado o partido nomeadamente em reuniões com o Governo.
Sobre a luta autonómica, entre o confronto ou a tentativa de explicar a realidade regional no continente, opta “mais pela segunda alternativa, uma perspectiva de cooperação, de procurar que as coisas regionais cheguem ao continente e haja aí uma pedagogia junto do Estado pelas virtudes da Autonomia e a necessidade de resolver problemas pendentes. Alguns muito complexos, como a mobilidade. A exportação do espírito autonómico é fundamental A prioridade é a questão financeira e fiscal que se pode parcialmente resolver pelo Estatuto. A segunda são as competências legislativas que também podem ser resolvidas pelo Estatuto. O terceiro são os aspectos da cooperação entre as regiões e o Estado”.
Recentemente publicou o seu primeiro livro, ‘Pilares da Autonomia’, apresentado no Jardim Botânico que tem o nome do seu pai, Rui Vieira.
Um lançamento que contou com a presença de varias figuras da política, entre elas Alberto João Jardim com quem teve confrontos duros.
“ Só tenho de agradecer o facto de o dr. Alberto João Jardim ter subido ao Jardim Botânico, foi para mim uma honra. Apesar das nossas diferenças, ele foi uma figura fundamental a nossa autonomia. É uma pessoa coerente e a isso é de se lhe tirar o chapéu. (...) Há uma coisa que a idade nos ensina que é nunca cortarmos pontes”, afirma.