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Madeira

Boné, mulheres e juventude marcam Banda de Santana

Presidente destaca identidade única no centenário

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A Banda Municipal de Santana chega ao centenário com traços distintivos pouco comuns no panorama regional — do uso tradicional do boné à forte presença feminina e a uma base jovem de executantes. Aos jornalistas, o presidente da direcção, José Carlos Abreu, sublinhou a identidade própria da instituição construída ao longo de um século.

“Os nossos antepassados, os nossos músicos, souberam sempre levar a banda ao longo destes anos que aqui passaram. Foram muitos dirigentes, foram muitos executantes que passaram por cá durante estes 100 anos”, afirmou, enaltecendo ainda o trabalho das direcções anteriores “para que nós estejamos cá hoje a festejar os 100 anos”.

Actualmente, a banda conta com 60 executantes, muitos deles estudantes universitários que regressam à terra para tocar: “Temos muitos que estão na universidade e aproveitam as férias para regressar e tocar com a sua banda. Nunca deixam de o fazer.”

Entre os elementos diferenciadores, destaca-se o uso do boné, mantido desde a fundação: “Somos a única banda da Região a utilizar boné, uma tradição que vem desde o início e que fazemos questão de preservar.”

A presença feminina é outro marco: “Fomos a segunda banda da Região a integrar mulheres, há cerca de 45 anos. Hoje temos 33 raparigas entre os 60 executantes, praticamente mais do que rapazes.”

Também a idade média revela uma colectividade rejuvenescida: “O mais novo tem 11 anos e o mais velho 45. Temos uma banda jovem e com executantes fantásticos.”

Apesar da dimensão do grupo, o presidente admite desafios: “É o número ideal, embora por vezes tenhamos de fazer reajustes. Em algumas actuações temos de deixar elementos de fora.”

No plano artístico, realça a riqueza do espólio: “O arquivo da Banda Municipal de Santana é muito rico. Temos marchas espectaculares e estamos constantemente a estrear novos temas.”

José Carlos Abreu deixou ainda um apelo à continuidade da instituição: “Peço aos encarregados de educação que incentivem os seus filhos a integrar a banda. Aqui não aprendem só música, aprendem também valores.”

Após 38 anos na presidência, reconhece a necessidade de renovação: “Será necessário renovar a direcção no futuro. É importante dar lugar aos mais jovens.”

Ainda assim, garante estabilidade: “Estamos bem financeiramente, temos instrumentos, fardamentos e uma sede própria com boas condições”, destacando também o apoio recente da comunidade na aquisição de um sousafone.

“Temos saúde para continuar. A renovação é importante e, olhando para trás, as mudanças que fizemos valeram a pena”, concluiu.