Elogio e motivação essenciais na comunicação interna
É crucial motivar e elogiar os colaboradores de uma organização, quer seja empresa, instituição ou organismo. Esta frase resume uma conversa descontraída a que assisti recentemente entre duas pessoas com cargos de direção em contextos diferentes, uma num órgão de gestão local e outra numa empresa.
As duas reconheciam que, apesar de a motivação e o elogio poderem trazer resultados bastante favoráveis para a organização, sendo um dos principais focos da comunicação interna organizacional, muitas vezes continuam a ser dos instrumentos mais negligenciados na gestão do dia a dia.
Vários estudos apontam para o facto de os trabalhadores se sentirem desmotivados por falta de reconhecimento. E não apenas financeiro. O salário continua a ser importante, mas já não basta. Cada vez mais, os profissionais valorizam o seu envolvimento na organização, querendo ser parte ativa de uma cultura. E essa cultura constrói-se, em grande medida, através de pequenas interações diárias — onde o elogio tem um papel central.
Em Portugal, muitos trabalhadores questionam as suas lideranças devido à forma como são envolvidos nas decisões. Ou por não serem minimamente envolvidos. Isto revela falhas na comunicação interna.
Motivar é, antes de mais, comunicar. E elogiar é uma das formas mais eficazes de o fazer. Ainda assim, em muitas estruturas, o reconhecimento continua ausente ou surge de forma pontual, quase acidental. O feedback tende a aparecer quando há falhas, raramente quando há mérito. Cria-se, assim, um ambiente onde o erro é visível, mas o esforço passa despercebido.
Esta ausência de elogio tem, muitas vezes, impacto direto na forma como os colaboradores se posicionam no trabalho: menos envolvimento, pouco sentido de pertença e menor disponibilidade para ir além do mínimo exigido.
Pelo contrário, em contextos onde existe mais reconhecimento, há por norma maior confiança, segurança psicológica e compromisso. Quando as pessoas sentem que o seu contributo é tido em conta, tornam-se mais motivadas.
Apesar disso, muitas organizações continuam presas a modelos hierárquicos e pouco comunicativos, onde a proximidade é reduzida e o reconhecimento escasso. Esta realidade representa um risco num contexto em que o talento é cada vez mais exigente e seletivo.
Resta às organizações perceber que, com escuta ativa e feedback constante, os elogios podem surgir como uma forma de reforço dos comportamentos positivos que permite reconhecer, de maneira genuína, o valor de quem trabalha, o que pode aumentar o sentimento de pertença e, naturalmente, motivar.