Polícia britânica contacta guarda-costas de ex-príncipe britânico André
A polícia britânica anunciou hoje que começou a contactar todos os guarda-costas que trabalharam para o ex-príncipe André, para recolher informações no âmbito da investigação sobre as suas alegadas ligações ao criminoso sexual condenado Jeffrey Epstein.
"Foi-lhes pedido que considerem cuidadosamente se algo que viram ou ouviram durante esse período de serviço pode ser relevante para as nossas investigações em curso e que partilhem qualquer informação que nos possa auxiliar", disse a Polícia Metropolitana de Londres em comunicado.
A polícia especificou estar a contactar tanto os atuais como os antigos guarda-costas do irmão do rei Carlos III.
Afirmou também estar "consciente da ampla cobertura mediática do caso", embora "até à data, nenhuma nova acusação criminal tenha sido formalizada" por "crimes sexuais".
"Continuamos a instar qualquer pessoa com informações novas ou relevantes a apresentar-se. Todas as alegações serão levadas a sério e, como em qualquer caso, todas as informações recebidas serão avaliadas e investigadas quando apropriado", concluiu.
Andrew Mountbatten-Windsor foi libertado ontem, depois de ter passado mais de onze horas sob custódia na esquadra policial de Aylsham.
O ex-príncipe mantém-se sob investigação, o que significa que não foi acusado nem ilibado.
As autoridades realizaram hoje uma busca na Royal Lodge, antiga residência do Duque de York.
No dia anterior, também revistaram uma casa de campo em Norfolk. Ambas pertencem à família real britânica.
As investigações centram-se na alegada "má conduta em cargo público" por alegadamente ter fornecido a Epstein informações governamentais confidenciais enquanto trabalhava como enviado especial para o comércio, entre 2001 e 2011.
As investigações incluem também o seu alegado envolvimento num caso de tráfico humano.
A detenção coincidiu com o seu 66º aniversário, semanas após a Casa Real ter iniciado os procedimentos formais para destituir André dos seus títulos.
O membro da família real tinha sido despejado da sua residência em Windsor, a oeste de Londres.
O próprio ex-príncipe anunciou em outubro de 2025 que renunciaria aos seus títulos, incluindo o de Duque de York.
O rei Carlos III manifestou "profunda preocupação" com a situação do irmão, mas declarou que "a lei deve seguir o seu curso", garantindo apoio e cooperação total com as autoridades.
O ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown anunciou ter enviado uma carta de cinco páginas a várias forças policiais com novas informações extraídas dos ficheiros de Epstein, defendendo justiça para as vítimas menores de idade.
A controvérsia que envolve o ex-príncipe André intensificou-se depois da divulgação, pelo Departamento de Justiça norte-americano, de mensagens eletrónicas que alegadamente indicam a partilha de documentos confidenciais com Epstein.
As mais de três milhões de páginas de documentos do caso Epstein divulgadas pelo Departamento de Justiça norte-americano no final de janeiro incluem fotografias incriminatórias do ex-príncipe, que numa delas surge agachado de gatas sobre uma mulher não identificada deitada no chão, no que parece ser a mansão de Epstein em Nova Iorque.
Outras fotos mostram-no num jantar privado em Pequim, em 2010, com uma modelo chinesa e parceiros de Epstein, apesar das suas alegações de que estava a distanciar-se de Epstein durante esse período.
Os ficheiros minam significativamente a alegação de Andrew, feita em 2019 ao programa Newsnight da BBC, de que tinha cortado relações com Epstein após a condenação deste em 2008 por crimes sexuais.