Jorge Pinto recusa ser aliado do Governo e diz que único compromisso é com os portugueses
O candidato presidencial Jorge Pinto disse hoje que a única aliança que se compromete a fazer é com os portugueses, argumentando que não está na campanha para propor aliar-se ao Governo como Cotrim Figueiredo.
"É isso que me interessa. Eu não estou na campanha para ser aliado de quem quer que seja. Estou na campanha apenas para ser aliado dos portugueses e para lhes dizer que, comigo na Presidência da República, a minha única aliança era para com os portugueses", disse.
O candidato falava aos jornalistas depois de uma visita ao Grupo de Ação de Solidariedade Social de Antas (GRASSA), no concelho de Esposende, questionado sobre a carta enviada pelo candidato João Cotrim Figueiredo ao primeiro-ministro em que se comprometeu a ser um aliado do Governo em algumas reformas.
"O Presidente da República não tem de ser aliado de ninguém a não ser dos portugueses e do seu país", considerou.
Jorge Pinto frisou ainda, como tem feito ao longo de toda a campanha, que defenderá a Constituição, uma vez que é a "única aliança construtiva" a que está obrigado.
O candidato presidencial Cotrim Figueiredo enviou na quinta-feira uma carta ao primeiro-ministro comprometendo-se a ser um aliado do Governo e a dar-lhe "respaldo político" se decidir avançar com reformas na saúde, economia e segurança social.
Após uma visita a um centro de dia, em que esteve em contacto com vários idosos, o candidato presidencial falou também de como pode chegar a este eleitorado, frisando que isso acontece "falando com as as pessoas" e transmitindo a "necessidade de pensar o país intergeracional a várias décadas".
"Estas pessoas certamente vão ouvir esse apelo e vão estar com ele. Porque pensar a longo prazo não é apenas um desafio para os mais novos. É também para os mais velhos. E, na verdade, são eles, maioritariamente eles, que mais me falam da necessidade de pensar a longo prazo", defendeu.
Jorge Pinto destacou ainda que a defesa da natureza, a valorização da comunidade e da cultura são pilares da atividade da associação que visitou e, simultaneamente, valores centrais da sua candidatura.
O candidato a Belém foi também questionado sobre políticas de habitação e criticou o Governo por definir 2.300Euro como uma renda moderada e defendeu que a solução desta crise não passa por medidas fiscais, parcerias com privados ou nova construção
"Aquilo que eu quero é um Estado que assume as suas responsabilidades. Portugal tem pouquíssima habitação pública, cerca de 2%", disse, acrescentando depois que o país deve ambicionar uma habitação pública de 20%.