O PS, Emanuel e Pedro Nuno
Este artigo não começava assim, mas este não pode ser um post-scriptum: morreu um Homem bom. Enquanto escrevia, uma grande amiga informou-me da morte trágica de um nosso colega de profissão, de faculdade, de ano de curso. Morreu o anestesiologista Mihran Portugalyan, vítima de um acidente trágico na Região. Cruzámo-nos pela última vez no aeroporto de Lisboa e não guardo outra imagem que não a da simpatia e sorriso com que sempre me tratou. Com que tratava toda a gente. Outros terão coisas mais próximas, mais bonitas, mais intensas para dizer sobre alguém que dedicou a sua vida a salvar a de outros. Histórias que poderiam, certamente mereceriam encher este espaço. Não consigo imaginar a dor de todos os que com ele privaram de perto, em particular ao longo destes 10 anos que nos separam desde o final da Faculdade de Medicina. À Ângela, aos filhos, à família, aos amigos, a todos a quem o Mihran tocou pelo caminho, deixo um sentido abraço de força e a esperança de que o seu trajeto inspire o de muitos outros.
De repente, a política parece irrelevante perante a dimensão da perda. Perante a dimensão infinitamente maior da Vida. Mas, no final de contas, são opções políticas, as nossas e as dos outros, que condicionam, por vezes decisivamente, o rumo das nossas vidas. Que nos criam mais ou menos oportunidades. Que geram mais ou menos igualdade. Regresso, por isso, à política, porque é sobre ela que habitualmente escrevo e porque temos escolhas inadiáveis pela frente.
O país vai a votos no próximo dia 18 de maio e, com ele, a Madeira também. A escolha é sobre os deputados que nos representarão na Assembleia da República, o Governo que se formará e o Primeiro-Ministro que nos liderará. Não é sobre mais nada: não é a segunda ronda das eleições regionais, cujos resultados foram suficientemente esclarecedores, nem é a primeira das eleições autárquicas, que se seguirão ainda este ano.
Dito isto, há uma clarificação que me parece decisiva para muitos eleitores que estão zangados com o PS na Madeira: é que Emanuel Câmara não é Cafôfo, nem Cafôfo é Pedro Nuno Santos. Esse tempo político já é passado - e o Partido Socialista é, felizmente, um partido com mais de 50 anos de História, que encontrou sempre nos seus militantes de base, nos seus simpatizantes e nos seus eleitores, a força e a coragem necessárias para lutar por uma Região e um país melhores, mesmo nas horas mais difíceis.
Emanuel Câmara faz parte dessa essência do PS. Do PS que ao longo destes anos lutou até nos sítios mais recônditos da Região por uma vida melhor para as suas populações - como fez ao longo de mais de 30 anos, no Porto Moniz, do Seixal às Achadas da Cruz, mesmo quando o adversário se chamava Alberto João Jardim e estava no auge da sua força, não se coibindo de utilizar todas as armas - todas - para segurar o regime. Do PS que perdeu muitas vezes, mas, sem se desviar da sua essência, continuou a trabalhar com os seus até vencer - como fez em 2013. Do PS que, uma vez no poder, transformou os territórios que governou para melhor - como fez na educação, na saúde, no apoio aos mais novos e aos mais velhos, incluindo aos jovens casais. Do PS que sonhou com uma Madeira diferente possível - como fez em 2019, como Presidente do PS, em que teve o melhor conjunto de resultados da nossa História, incluindo em regionais.
Emanuel Câmara é genuinamente socialista. Não é só militante do Partido Socialista. É socialista em todas as suas políticas: as grandes e as pequenas. Foi socialista quando transformou o Porto Moniz num concelho amigo de todos, com políticas socialistas. Foi socialista quando aceitou avançar como cabeça-de-lista nestas eleições, em condições tão adversas.
É deste PS que a Madeira precisa na Assembleia da República. E é deste PS que o país precisa no Governo: o de Mário Soares, que foi o de Guterres, que foi o de Costa, que é o de Pedro Nuno. O PS que transformou o país e nunca deixou a Madeira para trás. Alberto João sabe-o. Albuquerque sabe-o. Os madeirenses sabem-no também. O PS podia ter feito mais pela Madeira? Certamente - mas a distância entre um bom amigo que nem sempre fez escolhas certas e um inimigo da Madeira, como foram Passos Coelho como Primeiro-Ministro e Montenegro como líder parlamentar do PSD, é infinita.
Pedro Nuno Santos está preparado para ser Primeiro-Ministro e substituir Montenegro, sem qualquer credibilidade para continuar a governar, tal como Emanuel Câmara está preparado para defender mais Madeira no parlamento nacional. Ambos partilham características essenciais a um líder: experiência; ambição; determinação; espírito de luta; resistência. Representam a coragem madeirense e o compromisso nacional. É por isso que acredito que dar força ao PS será dar força à Madeira e à sua Autonomia.
Tal como Pedro Nuno fez há um ano, Emanuel Câmara colocou-se de novo ao serviço do seu PS, num dos momentos mais difíceis de sempre. Sei que todos os militantes, simpatizantes e eleitores socialistas reconhecer-lhe-ão esse mérito, aconteça o que acontecer. Estou convicto de que os madeirenses também o farão: com o seu voto, como o meu, evidentemente no PS.