Falta de Professores – Em busca do tempo perdido
Faltam mesmo muitos docentes nas escolas da RAM, apesar de, salvo casos pontuais, não haver alunos sem aulas
O Sindicato dos Professores da Madeira vinha alertando, há vários anos, para uma conjuntura que indiciava a alteração do paradigma de excesso de docentes no mercado de trabalho. No entanto, de cada vez que falava desses sinais, as reações tinham um padrão bem definido: primeiro, um risinho de escárnio, no rosto dos interlocutores; depois, o argumento demográfico: cada vez menos bebés, as salas de creche às moscas, ...; por fim, o argumento do paraíso regional: não faltavam professores do continente que queriam vir para a Madeira. Bem tentávamos alertar para os números crescentes de docentes em idade de aposentação, para o risco de, com o fim da recuperação do tempo congelado, muitos profissionais optarem por regressar às suas terras de origem, mas a resposta era a repetição do padrão já descrito. Os sinais eram claros, mas os governantes preferiam mostrar que estava tudo tranquilamente controlado.
Não estava, como se pôde ver neste início de ano. Faltam mesmo muitos docentes nas escolas da RAM, apesar de, salvo casos pontuais, não haver alunos sem aulas. Todavia, ao longo do ano, é quase inevitável que tal venha a acontecer. Por isso, é preciso humildade para reconhecer os erros na abordagem feita, até agora, e procurar medidas que revertam a situação, nos próximos anos. O problema é de tal ordem que não bastam medidas avulsas de recurso, como reverter destacamentos para organismos e instituições externas.