O bom, o mau e os treinadores de bancada
Não há incêndios com final feliz. Muito menos aquele onde arderam quase 6 mil hectares do bem mais valioso que esta terra tem
O bom: Margarida Blasco
“Tudo o que seja para melhorar as condições dos madeirenses nós podemos fazê-lo.” Foi a resposta da Ministra da Administração Interna, à pergunta sobre a possibilidade do Governo da República garantir um segundo meio aéreo, de forma permanente, na Madeira. O debate é antigo e tem implicações muito além da área da proteção civil. A regionalização de serviços – como é o caso da proteção civil – isenta o Estado de qualquer responsabilidade no seu financiamento? A resposta depende da forma como olhamos para a transferência de competências do Estado para as Regiões Autónomas. Para quem vê na regionalização, a possibilidade de uma competência do Estado ser exercida de forma mais eficaz por quem está mais próximo da realidade regional, então a responsabilidade financeira pelos serviços regionalizados tem de ser avaliada caso a caso. Para os que procuram na regionalização uma forma de reduzir o investimento do Estado numa parte do território nacional, a autonomia é pouco mais do que um truque financeiro para prestar piores serviços e poupar dinheiro à República. Não é, por isso, surpreendente que vários governantes nacionais, de variadas cores partidárias, se escondam atrás da regionalização sempre que lhes perguntam pelo investimento do Estado na Região. O que é curioso, é ver Paulo Cafôfo, o homem cuja causa era a Madeira, refugiar-se na regionalização da proteção civil para justificar a sucessiva recusa dos governos socialistas em assumir qualquer responsabilidade no financiamento dos meios aéreos utilizados na Região. Pior do que recusar ajuda, é estar convicto que a mesma nem sequer é devida.