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Taiwan simula pela primeira vez ataque chinês ao principal aeroporto da ilha

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Foto EPA

As autoridades de Taiwan realizaram hoje pela primeira vez um exercício militar no aeroporto internacional de Taoyuan, que serve a capital Taipé, simulando um ataque de tropas da República Popular da China.

A iniciativa integra a semana de exercícios anuais "Han Kuang" (Glória de Han), que este ano incluem a proteção de aeroportos civis, numa altura em que Pequim intensifica a pressão militar e política sobre a ilha.

Trata-se do primeiro exercício do género realizado no maior aeroporto de Taiwan, perto da capital, desde que entrou em funcionamento em 1979, segundo a agência francesa AFP.

O tráfego aéreo foi interrompido durante cerca de 30 minutos enquanto dezenas de soldados lutavam contra "inimigos" que chegavam em helicópteros de ataque à pista do aeroporto.

A polícia e os bombeiros do aeroporto também participaram na operação que, segundo o Governo, visa combinar forças civis e militares para proteger infraestruturas críticas.

"Devemos partir do conceito de 'defender a sociedade como um todo', integrar e utilizar os recursos do exército, do Governo central, dos governos locais e dos setores civis, e coordenar todas as unidades para que trabalhem em conjunto", disse a Presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen.

Tsai, que participou num exercício numa refinaria de petróleo em Taoyuan, estava vestida de uniforme e usava uma máscara, tendo sido diagnosticada esta semana como positiva para a covid-19 com sintomas ligeiros.

De acordo com o especialista militar Alexander Huang, Taiwan está a inspirar-se na invasão russa da Ucrânia.

"A tomada do aeroporto do adversário é essencial para enviar um grande número de forças de assalto por via aérea como parte de uma operação de invasão", disse Huang, da Universidade Tamkang de Taipei, à AFP.

"Além de familiarizar as nossas forças com o comando e o controlo, este exercício pode também indicar aos potenciais inimigos que nos estamos a preparar para essa eventualidade", acrescentou.

Taiwan organiza frequentemente manobras militares num contexto de crescente pressão militar e política de Pequim.

Os caças chineses têm feito incursões cada vez mais frequentes na zona de defesa aérea de Taiwan desde que Tsai Ing-wen chegou ao poder em 2016.

No ano passado, as forças armadas chinesas fizeram exercícios em grande escala ao redor de Taiwan e intensificaram continuamente as patrulhas aéreas e navais nas proximidades da ilha, que tem 23 milhões de habitantes.

A China e Taiwan vivem como dois territórios autónomos desde 1949, altura em que o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, após a derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Pequim considera Taiwan parte do seu território e ameaça a reunificação através da força, caso a ilha declare formalmente a independência.