Machico - mudança do Feriado Municipal
Quando em finais de setenta os responsáveis autárquicos de Machico escolheram para feriado do município o dia 9 de outubro (data da efeméride do Senhor dos Milagres), certamente pretendiam dar notoriedade a essa escolha, aliada à dimensão da efeméride que anualmente traz a esta localidade milhares de peregrinos, promovendo ao mesmo tempo esta terra secular, com diversos eventos culturais e desportivos.
Se a celebração da primeira Semana do Concelho de Machico foi pujante, à medida da grandiosidade de Machico, as seguintes esmoreceram face às manifestações de desagrado por não se respeitar o sentimento de tristeza que emanava daquela data, devido ao aluvião de 1803, que ceifou a vida de algumas dezenas de madeirenses, mas com especial reflexo em Machico.
Ao longo dos anos o poder político de Machico, “viveu amarrado” entre a possibilidade de alterar a data do feriado do Município, para uma outra mais condizente com a sua História e o seu passado e ao mesmo tempo partindo para a realização de uma verdadeira Semana do Concelho que promovesse verdadeiramente Machico, ou deixar tudo na mesma. Faltou sempre a coragem para o passo decisivo.
Felizmente, em princípios do ano passado, a Mesa da Assembleia Municipal deu passos concretos nesse sentido, consultando historiadores que fundamentaram duas possíveis datas alternativas para escolha. O dia 8 de maio, data da carta de doação a Machico da 1ª Capitania da expansão marítima portuguesa, após o início da epopeia dos descobrimentos e o dia 2 de julho, data da chegada dos descobridores à Madeira.
Após a divulgação dos objectivos nos meios próprios do município e na comunicação social, a AMM, em colaboração com a Câmara de Machico e as Juntas de freguesia, iniciaram diversos debates e contactos, com a população do município, auscultando-se as suas opiniões e sugestões, que terminaram este mês na freguesia do Porto da Cruz
.A opinião generalizada optou pela data de 8 de maio.
A grandiosidade da efeméride do Senhor dos Milagres é inquestionável e a sua génese está na fé e na religiosidade de um povo e não se vai perder. Machico vai continuar também a ser o local da maior peregrinação da Ilha da Madeira.
Foi em Machico que tudo começou. Este ano comemoram-se os 600 anos e que melhor altura para a efetivação plena da mudança do feriado municipal, para o dia 8 de maio, uma data carregada de História e também de simbolismo, com tudo o que isso representa.
Cabe à Assembleia Municipal e aos seus representantes, que têm o poder de decisão, dignificarem o seu passado, honrando os capitães Donatários, acertando a “remada” com a sua História, que é também duma forma marcante, a da Madeira e a de Portugal.
Machico tem uma identidade singular.
Machico tem um legado único.
Saibamos honrá-lo.
Gabriel Martins