Klebsiella pneumoniae
É inevitável que situações destas aconteçam. É necessário manter a calma, acreditar nos profissionais e seguir as instruções
Na passada quinta-feira, foi notícia a necessidade de isolamento de duas áreas do Hospital Dr. Nélio Mendonça, devido ao aparecimento de doentes infectados com Klebsiella pneumoniae.
A notícia preocupou as autoridades da Saúde regionais e o público em geral e incendiou as redes sociais.
A Klebsiella pneumoniae carbapenemase (KPC) é uma bactéria gram negativa (que cora de rosa pelo corante biológico de Gram), resistente aos antibióticos, associada a significativa morbilidade e mortalidade. Inicialmente encontrada no Nordeste dos Estados Unidos, rapidamente se espalhou por todo o mundo.
A resistência ao tratamento deve-se à produção, pela bactéria, de enzimas (“carbapenemases”) capazes de anular o efeito da maior parte dos antibióticos.
Relembro o que escrevi no meu artigo, no DN de 22 de Abril de 2018, intitulado “Infecções Hospitalares”: “Os hospitais são, certamente, os lugares em que há mais doentes reunidos...por metro quadrado.
Assim sendo, as possibilidades de contaminação interpessoal ou pelo ambiente estão elevadas a uma alta potência.
Para além disso, as bactérias e os vírus sofrem mutações que são alterações súbitas da sua constituição genética que, não raras vezes, se manifestam por uma resistência acrescida às substâncias que, antes, eram eficazes na sua destruição (antibióticos, por exemplo).
Como as bactérias se reproduzem muito rapidamente, duplicando o seu número a cada meia hora, facilmente transmitem às sucessivas gerações as características, positivas para a sua defesa, que vão adquirindo.
Mesmo com a descoberta de sucessivos antibióticos ao longo dos anos, muitas vezes, a velocidade a que são descobertos e utilizados é inferior à velocidade com que as bactérias adquirem imunidade.
Tudo isto que é verdade na vida do dia-a-dia tem muita acuidade no ambiente hospitalar pelo que é necessário um redobrado cuidado na higiene das pessoas e espaços e na racional utilização dos meios (em especial, antibióticos) para que não se verifiquem desequilíbrios...a favor dos vírus e das bactérias.”
O uso reiterado de antibióticos que tantas vidas salvam, diariamente, tem também efeitos negativos. A actual mobilidade humana facilita o “transporte” de microorganismos potencialmente infecciosos.
Situações destas, infelizmente, acontecem em qualquer hospital de qualquer país do mundo.
O SESARAM tem uma excelente equipa de especialistas (e um Programa de Prevenção e Controlo de Infecções) que, certamente, tomaram e tomarão todas as providências e puseram na prática todos os procedimentos, referenciados internacionalmente, para casos desta natureza.
É inevitável que situações destas aconteçam. É necessário manter a calma, acreditar nos profissionais e seguir as instruções e recomendações de quem sabe o que há a fazer para minimizar as consequências destes infaustos acontecimentos.