“Todos os anos são recolhidos entre 700 a 800 animais no Funchal”

Ordem dos Médicos Veterinários veio apresentar Cheque Veterinário, “a solução para as autarquias, com o mínimo de despesa possível, resolverem o seu problema”

17 Mar 2018 / 16:16 H.

Ordem dos Médicos Veterinários (OMV) apresentou hoje o Cheque Veterinário no Funchal, aproveitando a realização de uma sessão de esclarecimento junto dos profissionais da classe, a decorrer numa unidade hoteleira da cidade.

À margem da reunião, Jorge Cid, Bastonário da OMV, além de estimar que todos os anos são recolhidos entre 700 a 800 animais no Funchal, onde não há nenhum Centro de Recolha Oficial, licenciado para o efeito, deu a conhecer o programa referente ao Cheque Veterinário, que visa apoiar os animais abandonados e recolhidos pelas autarquias, bem como animais de famílias carenciadas, na Ilha da Madeira.

O Programa de Apoio de Saúde Preventiva a Animais em Risco, mais conhecido por Cheque Veterinário, tem como principal objectivo criar uma rede de cuidados primários médico-veterinários para animais em risco, nomeadamente no que se refere à vacinação, desparasitação, identificação eletrónica e esterilização.

Na opinião de Jorge Cid, esta “iniciativa de grande escala que a Ordem pretende para colmatar a grande problemática que existe dos inúmeros animais companhia abandonados”, resulta não só da tentativa de encontrar “uma solução para tentar minorar este problema, que é um problema grave na nossa sociedade”, ciente que há uma “quantidade enorme de animais que necessitam de cuidados básicos de saúde”.

Problemática que espera, na pior das hipóteses, estar ultrapassada dentro de uma década.

“Agora há milhares de animais para esterilizar, mas pensamos que ao longo dos anos, à medida que esta campanha vai avançado, no limite, daqui a dez anos, acabar com esta problemática”, apontou. Reforça ainda que ao abrigo desta campanha, onde o trabalho do veterinário é ‘pro bono’, “as autarquias com o mínimo de despesa possível conseguem resolver o seu problema”.

No caso particular da Madeira, por ser uma Região turística, reconhece que a presença de animais errantes na rua não ajuda na promoção do destino, pelo que é muito importante colmatar aquilo que classifica de “flagelo”.

Em relação à classe profissional, garante que “não há falta de médicos veterinários” porque “saem aproximadamente 300 médicos todos os anos. Diria até que, eventualmente, haverá excesso de médicos veterinários” na certeza que porém que “no futuro haverá excesso”, denuncia. A fundamentar esta apreciação, refere que “a Federação Veterinária Europeia aconselha uma faculdade por cada dez milhões de habitantes. Em Portugal há seis faculdades e ainda querem abrir mais outra. Estamos completamente desfasados da realidade profissional que é necessária para o país. É uma loucura”, conclui. Considera que este “é um problema político. Estamos a criar profissionais para os exportar, por exemplo para a Inglaterra, porque em Portugal não conseguem ter condições de trabalho dignas”, adverte.

O Programa pretende, deste modo, dotar os Municípios com os instrumentos necessários para o cumprimento da Lei que veio aprovar as medidas para a criação de uma rede de Centros de Recolha Oficial de animais e estabelecer a proibição do abate de animais errantes como forma de controlo da população e ainda promover uma aproximação aos médicos veterinários.

Este Cheque, que conta já com a adesão de um número substancial de consultórios, clínicas e hospitais veterinários em todo o país, é aplicável a animais capturados pelos centros de recolha oficiais, bem como a animais de famílias carenciadas.

Um programa lançado pela OMV que reconhece que a sociedade tem vindo a atribuir uma importância crescente à promoção do bem-estar e dos direitos dos animais, apesar do longo caminho que ainda há a percorrer. A Ordem espera, desta forma, prestar o seu contributo para a resolução desta problemática.

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