Envelhecer não é parar. É continuar a contar
A política de envelhecimento ativo não pode assentar apenas em boas intenções. Tem de responder a uma transformação demográfica profunda. Na Madeira o índice de envelhecimento aproxima-se já das 180 pessoas idosas por cada 100 jovens. Vivemos mais anos, fruto do progresso social, científico e médico. O desafio político é garantir que essa longevidade seja acompanhada por saúde, autonomia, participação e qualidade de vida.
Foi isso que encontrei no encerramento do ano letivo da Universidade Sénior da Ribeira Brava. Mais de cem alunos mostraram, através da poesia, da música, da dança e das línguas estrangeiras, que aprender não pertence a uma idade. Pertence à condição humana.
Engane-se, por isso, quem veja a Universidade Sénior como um simples espaço de ocupação do tempo. O que ali se faz tem efeitos muito positivos na vida das pessoas, cria rotinas, fortalece relações, estimula capacidades, combate o isolamento e devolve confiança. É aprendizagem, mas é também inclusão, cidadania e prevenção.
Esta dimensão é particularmente relevante quando a Organização Mundial da Saúde alerta para os efeitos do isolamento social na população mais velha, associando-o ao agravamento da saúde física e mental. Manter as pessoas ativas, acompanhadas e integradas ajuda a preservar a capacidade funcional, reforça a auto-estima e reduz o risco de dependência.
É neste conhecimento que assenta o conjunto de compromissos que apresentámos aos ribeira-bravenses. Não são medidas isoladas, mas partes de uma política municipal coerente para o envelhecimento ativo.
Começámos por reforçar o apoio ao movimento associativo reconhecendo o trabalho de proximidade desenvolvido pelas instituições. Anunciámos também melhores condições para a Universidade Sénior, porque um projeto que cresce e envolve cada vez mais alunos exige respostas à altura da sua importância.
Os Espaços Intergeracionais de São João e de São Paulo são outra expressão desse caminho. Funcionam, aproximam pessoas e demonstram que a convivência entre gerações combate a solidão e fortalece a comunidade. Queremos consolidá-los e alargar progressivamente esta resposta a outros pontos do concelho.
Há ainda compromissos que serão concretizados ao longo do mandato, como seja criar o programa Idoso + Ativo em parceria com as associações locais; promover rastreios e literacia em saúde; desenvolver iniciativas sobre saúde mental e estilos de vida saudáveis; reforçar o desporto inclusivo através do projeto “Desporto para Todos”; aderir à Rede de Cidades e Comunidades Amigas das Pessoas Idosas; e criar uma base municipal que permita identificar e acompanhar pessoas em situação de isolamento.
O Estatuto da Pessoa Idosa na Região reforça esta visão, mas os direitos afirmados nas leis só ganham verdadeira força quando se transformam em respostas próximas. É nos municípios, nas freguesias e nas instituições que a dignidade, a autonomia e a participação deixam de ser princípios abstratos e passam a fazer parte da vida quotidiana.
Preparar o futuro não é olhar apenas para os mais novos. É construir um concelho onde todas as idades contam. Porque uma sociedade não se mede apenas pelos anos que acrescenta à vida, mas pela vida, pela autonomia e pela dignidade que consegue acrescentar a esses anos. E a Ribeira Brava há muito que segue esses passos. Pelos Ribeira-Bravenses.