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Reforçar a proximidade cá, exigir responsabilidade e respeito pela Madeira lá

Pode ser que se cumpra, finalmente, tudo aquilo que há anos vive guardado comodamente numa gaveta

Cumprida a grande Festa do Chão da Lagoa e a menos de duas semanas para a nossa rentrée política na Ilha do Porto Santo, é tempo de agradecer e reconhecer o trabalho feito pelos nossos Militantes e Estruturas locais, neste ano que passou, mas é, também, tempo de projetar o futuro e de ultimar aquela que será a estratégia a seguir, neste novo ciclo político quiçá mais calmo – dada a ausência de atos eleitorais – mas, por isso mesmo, igualmente desafiante.

É fundamental que, em primeiro lugar, saibamos, juntos, avaliar, no exercício da proximidade que tão bem nos caracteriza enquanto Partido, qual é o sentir e quais são as necessidades e expetativas da nossa população, a cada momento, e garantir que, diariamente, nos esforçamos para não só ouvir e esclarecer, mas, sobretudo, para resolver os seus problemas, sejam estes de maior ou menor grau. É isto que nos faz escolha, é esta capacidade de estarmos presentes e de ajudarmos a encontrar soluções que nos permite liderar os destinos da nossa Terra há cinquenta anos.

Também é essencial, por outro lado, que saibamos avaliar, acompanhar e monitorizar a ação governativa regional, tal como temos feito, assegurando que o Programa do Governo apresentado e aprovado pela maioria dos Madeirenses continue a ser cumprido, de forma rigorosa, e que o percurso notável e exemplar que a Região tem realizado, ao longo dos últimos anos, se mantenha, para bem de todos nós.

Ainda mais oportuno e pertinente será, sem dúvida e por fim, reforçarmos a nossa luta e a nossa capacidade reivindicativa junto da República – não só a propósito dos dossiês pendentes no Estado mas, também ao nível das decisões que, tomadas lá, têm impacto direto cá – sabendo de antemão que vêm aí tempos que serão decisivos para a Madeira e que se esperam que venham a ser devidamente acautelados e apoiados por um Governo Central que, infelizmente, tem dado provas de não saber muito bem gerir ou valorizar as suas Autonomias.

Aliás, é importante sublinhar que a trapalhada na mobilidade aérea – que parece agora mais calma – não faz qualquer sentido nem é admissível quando está em causa algo tão sério como o princípio da continuidade territorial e a urgência de não sermos colocados à margem, estando dentro do mesmo País, apenas por vivermos numa Ilha. Tal como não é admissível aquilo que sucedeu nos Exames Nacionais e que acabou por afetar muitos Estudantes Madeirenses naquela que é uma decisão fundamental para as suas vidas e para o seu futuro.

Esperemos que a “linha direta” recentemente estabelecida entre as duas partes, de lá e de cá, venha a dar frutos ou, quanto muito, a abanar a árvore para que os frutos caiam no chão e possamos ver se ainda estão ou não em condições de consumo. Aqui, deste lado, tudo fizemos e tudo continuamos a fazer para que o Governo Português assuma, de uma vez por todas, as suas responsabilidades.

Pode ser que o facto de Luís Montenegro não tirar férias de verão para ficar na coordenação do seu Executivo ajude a tirar umas horas para olhar para a Madeira e para os Madeirenses com a importância, o respeito e a solidariedade que estes merecem.

Pode ser que se cumpra, finalmente, tudo aquilo que há anos vive guardado comodamente numa gaveta que já devia ter sido aberta pela atual liderança governativa nacional.