Lar em Matosinhos com 30 de 90 utentes infectados

31 Mar 2020 / 17:38 H.

O Lar Mãe de Jesus, do Centro Social Paroquial Padrão da Légua, em Matosinhos, tem cerca de 30 dos 90 utentes infectados com covid-19, estando seis deles internados no hospital local, revelou hoje à Lusa o presidente da instituição.

Os idosos infectados pelo novo coronavírus, que não necessitaram de hospitalização, continuam no lar, mas isolados dos restantes para não haver contágio, disse o padre Joaquim Andrade.

Os primeiros utentes que testaram positivo para a covid-19 estavam no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, distrito do Porto, onde haviam sido internados por outras patologias, contou.

“Quando fizeram os testes, já estavam internados no hospital, não estavam no lar”, frisou

.

Posteriormente, no sábado de manhã todos os utentes fizeram o teste, depois de um deles sentir dificuldades respiratórias, adiantou o sacerdote.

“Esse utente em particular apresentou dificuldades respiratórias e ligamos para as várias linhas disponíveis para reportar estas situações e ninguém nos atendeu, tendo demorado mais de 24 horas a realizar o teste”, comentou.

Depois dos testes realizados aos utentes, os funcionários receberam credenciais para os fazerem nas unidades específicas para tal, mas alguns só conseguiram agendar para a próxima quinta e sexta-feira, afirmou, lamentando tal situação.

Contudo, e apesar desta dificuldade de agendamento, uma das funcionárias da instituição já fez o teste que deu positivo, estando agora em isolamento, frisou.

“Isto é um problema muito grande, porque estamos a falar de pessoas com uma média de idades de 86 anos, logo grupo de risco, e os funcionários têm trabalhado muito, sem olhar a folgas ou fins de semana, mas se parte deles testar positivo ficamos sem mãos e depois como vai ser”, questionou.

Sobre a possibilidade de recorrer a voluntários caso essa situação se vier a verificar, solução lançada pela Câmara Municipal de Matosinhos através da criação de uma bolsa de voluntariado, o padre Joaquim Andrade tem “muitas dúvidas” sobre essa solução.

Além disso, lembrou que faltam equipamentos de protecção individual, essenciais para os trabalhadores, o que é um problema.

“Neste momento não temos a mínima hipótese de adquirir esses materiais porque não há fornecedores, para não falar nos preços exorbitantes”, vincou.

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