DGS admite duplicação de casos no boletim de segunda-feira

31 Mar 2020 / 19:15 H.

O subdiretor-geral da Saúde admitiu hoje que o boletim epidemiológico divulgado na segunda-feira soba a covid-19 incluía dados incorretos, devido à dupla contabilização de casos confirmados do novo coronavírus.

“Houve uma confluência entre os dados reportados da região e os dados reportados via Sinave (Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica) e acabou por haver uma duplicação de números”, afirmou Diogo Cruz na conferência de imprensa diária.

O boletim epidemiológico divulgado hoje pela Direção-Geral da Saúde já corrige os números e, segundo o subdiretor-geral, inclui apenas os dados reportados através do Sinave, sendo que os casos reportados pelas autarquias vão deixar de ser contabilizados, para eliminar a possibilidade de novas situações de duplicação.

No entanto, esta opção poderá implicar que apenas cerca de 70% dos doentes infetados em Portugal sejam reportados, alerta Diogo Cruz.

O subdiretor-geral não especificou quais as regiões onde o número de infeções foi contabilizado mais do que uma vez e, questionado pela Lusa se esta situação se teria verificado em concreto com os números referentes ao concelho do Porto, o secretário de Estado da Saúde, António Lacerda Sales, também não confirmou.

Segundo o boletim epidemiológico de segunda-feira, o concelho do Porto registava 941 casos confirmados até ao final do dia de domingo, um aumento de 524 casos em relação ao dia anterior. Hoje, o mesmo concelho regista apenas 462 casos.

O suposto aumento do número de casos no Porto levou a diretora-geral da Saúde, Graça Freitas, a admitir, na segunda-feira, a possibilidade de impor uma cerca sanitária na região, mas na conferência de hoje o secretário de Estado afirmou que neste momento essa decisão “não faz qualquer sentido”, independentemente de ter havido ou não duplicação de casos.

António Lacerda Sales aproveitou a conferência de imprensa para anunciar que Portugal vai receber esta semana cerca de 100 toneladas de material de proteção individual para os profissionais de saúde, incluindo cerca de 3,5 milhões de máscaras cirúrgicas, 300 mil toucas e 100 mil batas.

Diogo Cruz acrescentou que Portugal já recebeu cerca de 76 mil testes e vai ainda receber 481 mil zaragatoas, necessárias à realização dos exames.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 800 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 40 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 160 mortes, mais 20 do que na véspera (+14,3%), e 7.443 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 1.035 em relação a segunda-feira (+16,1%).

Dos infetados, 627 estão internados, 188 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 43 doentes que já recuperaram.

Portugal, onde os primeiros casos confirmados foram registados no dia 02 de março, encontra-se em estado de emergência desde as 00:00 de 19 de março e até às 23:59 de 02 de abril.