Supremo Tribunal do Zimbabué diz que Chamisa não é “legítimo líder” do MDC

31 Mar 2020 / 19:41 H.

O Supremo Tribunal do Zimbabué decidiu hoje que o candidato opositor às eleições de 2018, Nelson Chamisa, não é o “legítimo líder” da principal coligação da oposição, o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, na sigla inglesa).

Numa altura em que o país está bloqueado pela pandemia de covid-19, O Supremo Tribunal responde, assim, a um recurso do MDC a contestar outra decisão judicial, do ano passado, que disse que a ex-vice-presidente do partido Thokozani Khupe era a legítima líder do movimento.

Segundo a agência espanhola Efe, esta determinação do tribunal zimbabueano surge no momento em que o país inicia 21 dias de quarentena total para impedir a expansão da pandemia de covid-19, durante o qual a justiça está em serviços mínimos, apenas para casos de máxima urgência.

O que demonstra que, “sob a proteção da escuridão e sob o disfarce de lutar contra o coronavírus, o fecho do país [com as fronteiras encerradas] parece agora ser apenas para continuar a luta do governo contra Chamisa”, considerou à Efe o porta-voz do MDC, Nkululeko Sibanda.

Chamisa, que perdeu as eleições presidenciais de julho de 2018 contra o atual Presidente, Emmerson Mnangagwa, foi eleito presidente do MDC há dois anos, depois da morte do líder histórico do movimento Morgan Tsvangirai.

Khuphe, que foi ex-primeira-ministra do Zimbabué (2009-2013), concorreu contra Chamisa para controlar a formação opositora, mas foi derrotada e decidiu dividir uma parte do movimento.

Em maio do ano passado, o Tribunal Superior de Harare, na capital do país, já tinha decidido contra Chamisa e a sua liderança, mas o partido recorreu para o Supremo Tribunal.

O MDC encara esta questão judicial como uma conspiração do partido do governo, União Nacional Africana do Zimbabué - Frente Patriótica (ZANU-PF, na sigla inglesa), para desestabilizar a oposição, já que Khuphe não tem grande apoio entre a oposição e conseguiu apenas 45 mil votos nas anteriores eleições.

“São tentativas inúteis”, considerou o porta-voz do MDC, que insistiu que “o partido continuará igual”.

Uma vez que a decisão do Supremo Tribunal foi tomada uma dia depois do início, em todo o país, do período de quarentena total devido ao novo coronavírus, os apoiantes de Chamisa não vão poder protestar nas ruas contra esta determinação judicial.

A maioria das empresas, lojas, e estabelecimentos estão fechados, as ruas encontram-se desertas e os 16 milhões de zimbabueanos estão confinados nas suas casas, num país que informou que há sete casos confirmados de covid-19 e uma morte.