Goldman Sachs estima que África Subsaariana vá precisar de até mais 68,5 mil ME

09 Abr 2020 / 21:09 H.

O banco Goldman Sachs estimou hoje que os fundos necessários para a África Subsaariana poderão aumentar 75 mil milhões de dólares (68,5 mil milhões de euros) devido à pandemia do novo coronavírus.

“Possivelmente, o impacto mais severo da crise será nos já sobrecarregados saldos orçamentais”, referiram os economistas Dylan Smith e Andrew Matheny, do banco, numa nota citada hoje pela Bloomberg.

A nota refere que “os défices orçamentais vão provavelmente aumentar numa média de cerca de 3,5%”, com alguns países a alcançarem os dois dígitos, “antes de qualquer alívio para suavizar os efeitos económicos da ‘corona-crise’”.

Contudo, os dois economistas assinalam que se medidas como cortes orçamentais estiverem incluídas, o défice financeiro poderá acabar por ser maior.

A nota acrescenta que o encerramento das fronteiras para a contenção do novo coronavírus e a redução das receitas do turismo representam uma combinação suficiente para provocar a primeira recessão anual da região desde 1991.

A previsão é semelhante à do Banco Mundial, que durante o dia de hoje anunciou que estima uma quebra entre 2,1% e 5,1%.

A Goldman estima que as economias de Angola e Zâmbia possam ser as mais afetadas, com recessões na ordem dos 9% este ano.

Nos casos de África do Sul e Nigéria, duas das maiores economias do continente, as suas quebras deverão situar-se nos 6% e 4%, respetivamente.

Segundo a análise, Gana, Moçambique e Senegal também poderão apresentar uma diminuição do seu produto interno bruto.

O documento alerta que o aumento do défice orçamental poderá reduzir a capacidade de alguns governos assegurarem o serviço da dívida.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 1,5 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram quase 89 mil.

Dos casos de infeção, mais de 312 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

O novo coronavírus provocou 572 mortos em África e há o registo de 11.400 casos em 52 países, enquanto 1.313 pessoas já recuperaram, de acordo com os mais recentes dados sobre a pandemia da covid-19 no continente.