Coronavírus poderá provocar 1,8 milhões de vítimas no mundo

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26 Mar 2020 / 19:23 H.

A epidemia do novo coronavírus poderá provocar 1,8 milhões de mortos no mundo apesar das estritas medidas de contenção destinadas a reduzir a propagação, de acordo com uma estimativa hoje divulgada por investigadores do Imperial College de Londres.

Estas hipóteses foram baseadas em simulações matemáticas baseada no que é conhecido atualmente do instante T da doença do covid-19 (contagiosidade, suposta mortalidade, entre outros fatores), e desta forma não constituem “previsões”, sublinham os investigadores.

Um anterior relatório do Imperial College em meados de março tinha avaliado que a epidemia poderia provocar até 500.000 mortos no Reino Unido e afetar 81% da população, no caso hipotético de não ter sido adotada qualquer medida.

Esta publicação foi submetida a numerosas críticas, em particular metodológicas, da comunidade científica, mas levou o Governo britânico a alterar a sua estratégia sobre a epidemia face a semelhante cenário de pesadelo.

No caso hipotético de não ter sido adotada qualquer medida no mundo, os autores indicaram um número de vítimas que poderia atingir 40,6 milhões de mortos, em sete mil milhões de pessoas infetadas, o que significava a quase totalidade dos cerca de 7,6 mil milhões de habitantes do planeta.

De seguida, e ao incluir variáveis nas diversas regiões do mundo (pirâmide de idades, rendimentos, acesso aos cuidados de saúde...), especificam a aguardada redução das taxas de mortalidade de acordo com a rapidez da entrada em vigor de medidas de combate à epidemia, designadamente a despistagem por teste, a quarentena de pessoas infetadas e as medidas de distanciamento social.

Com medidas adotadas mais tardiamente e prevendo apenas a taxa de mortalidade de 1,6 para 100.000 por semana, concluem com um registo de 10,45 milhões de falecimentos, por 2,4 mil milhões de pessoas afetadas.

No entanto, os autores sublinham que o estudo apenas fornece “esclarecimentos sobre as trajetórias possíveis [da epidemia] e o impacto das medidas para ajudar à redução da difusão do vírus, baseados na experiência dos países atingidos no início da epidemia”.

No entanto”, precisam, “não é possível no atual momento prever com qualquer certeza o número exato de casos num determinado país ou a mortalidade precisa e qual o peso da epidemia nesse contexto”.