Governo tem algumas horas para tentar resolver problema de técnicos de saúde nos lares

Utentes vão ao hospital e regressam sem serem testados

31 Mar 2020 / 13:32 H.

Foi anunciado por Miguel Albuquerque, na conferência de imprensa das 18 horas do último domingo e passado a circular normativa pela autoridade de saúde da Madeira, Herberto Jesus. Entra em vigor no dia 1 de Abril, portanto, a partir da próxima meia-noite, a proibição dos profissionais de saúde prestarem serviços em mais do que uma unidade, publica, privada ou social. Essa determinação, ainda que não esteja a ser questionada quanto à sua correcção e utilidade teóricas, está a deixar muito apreensivos os responsáveis pelos lares da Região. Há um problema para resolver em algumas horas.

A circular normativa do IASAÚDE, assinada por Herberto Jesus, determina que “todos os profissionais de saúde apenas podem exercer a sua actividade num único estabelecimento prestador de cuidados de saúde, seja do sector público, privado ou social, visando esta restrição na mobilidade de profissionais de saúde prevenir e conter a propagação do contágio pelo novo Coronavírus (SARS-CoV-2) entre estabelecimentos prestadores de cuidados de saúde, na salvaguarda e protecção dos respetivos utentes e dos próprios profissionais de saúde, de inestimável valia acrescida neste contexto de emergência de saúde pública”.

O problema é que, com esta determinação, na prática, os lares da Região correm o risco de ficar sem médicos e até sem ou com poucos enfermeiros. Isto porque as instituições não têm capacidade para ter uma equipa médica e de enfermagem em exclusividade.

No caso dos médicos, a situação pode ser ultrapassável com teleconsultas, mas com a presença de enfermeiros no lar. Não é algo ideal, mas possível e aceitável por parte dos responsáveis de lares ouvidos pelo DIÁRIO. O problema maior por resolver fica a ser o de enfermeiros.

Durante o dia de ontem, houve um conjunto de reuniões, envolvendo responsáveis pelo sector da saúde e entidades ligadas aos lares para estudar uma forma de ultrapassar a situação.

Uma delas é via formal, legal. Consiste em considerar que os lares não são unidades de saúde e que não prestam esse tipo de serviço. Isso permitiria que, pelo menos, os enfermeiros pudessem trabalhar nos hospitais e nos lares. No entanto, seria deitar por terra os esforços para evitar que o novo coronavírus entre nos lares.

A outra solução, que está em cima da mesa, é a de escolher um grupo de enfermeiros para ficarem adstritos unicamente aos lares. Mas isso levanta um problema de falta de mão-de-obras nos hospitais, com a consequente dificuldade em realizar escalas.

Trabalhadores 15 dias internos nos lares e utentes não testados

Na Madeira, já há pelo menos uma instituição que adoptou uma medida que alguns lares do continente já estão a praticar. Os trabalhadores estão em permanência, dia e noite, durante 15 dias no lar. Uma situação que, apesar de compreendida, está a causar descontentamento entre os trabalhadores.

A questão dos lares tem sido um quebra-cabeças a nível nacional e internacional e, na Madeira, teme-se muito pelo que pode acontecer.

Têm sido anunciadas várias medidas e directivas, regionais e nacionais, mas algumas não estão a ser cumpridas.

A nível nacional foi decidido testar todo o pessoal e utentes dos lares. Na Madeira, além disso não estar a acontecer, nem testam os doentes que vão ao hospital e regressam às instituições.

O DIÁRIO tem conhecimento de mais um caso concreto, que se passou no último fim-de-semana. A equipa médica de um lar identificou num utente um conjunto de sintomas e sinais compatíveis com Covid-19. Foi contactada a linha SRS24. Depois, uma equipa de bombeiros foi accionada para transportar a pessoa até às urgências do hospital. Os bombeiros fizeram o serviço sem qualquer equipamento de protecção individual.

O utente foi recebido na urgência de adultos e não passou por qualquer triagem relacionada com Covid-19. Não foi testado, nem para o regresso ao lar, o que aconteceu bem mais tarde.