O “pântano”
A pretensão dos partidos com exceção do PS para aprovar na Assembleia da República uma lei que impedisse membros de um governo de ocupar um cargo de topo num Organismo do Estado logo que cessam funções governativas obrigando-os a cumprir um interregno, ao contrário do que afirmou o Primeiro Ministro (PM) não é “perseguição pessoal” contra o ex-ministro das Finanças (Ex-MF). A sua finalidade era antes de mais evitar que o exercício das novas funções pudesse ser contaminado por decisões eventualmente controversas tomadas ainda no decorrer da ação governativa dos visados. Assim pela transparência e no “interesse da República” que o Ex-MF tanto gosta de evocar deveria ser o próprio a declinar o convite do PM para assumir no imediato o cargo de GBP. Paulatinamente e perante a indiferença geral, e pasme-se até do maior partido da oposição, vamos assistindo ao crescimento do polvo socialista cujos tentáculos vão tentando segurar tudo o que possa representar poder no País. Entregar o cargo de GBP a um socialista insere-se nessa estratégia. Tendo conseguido o poder na República e na Região Autónoma dos Açores através do voto popular, o PM procura agora com as nomeações expandi-lo e consolidá-lo com os tentáculos do PS a “agarrar” tudo o que podem. Para conseguir o pleno da governação no País fica apenas a faltar a Região Autónoma da Madeira (RAM) que falhou por pouco nas últimas eleições regionais e por isso o PM tudo tem feito e continuará a fazer, com a condescendência do Presidente da República, para criar o máximo de dificuldades ao governo e à população da RAM persistindo no incumprimento das obrigações da República para com as ultraperiferias. Ao contrário de António Guterres o PM não desdenha o “pântano” em que se tornou a sua governação e com o apoio expresso e/ou tácito de BE e PCP usa essa quietude pantanosa, mesmo perante quem não devia ser condescendente e indiferente, para assim expandir os tentáculos do polvo socialista e açambarcar o poder no País.