Carta ao... coronavírus!

24 Mai 2020 / 02:00 H.

    Não penses que te estou a escrever, para te agradecer, pelo que andas por aí a fazer.

    Criar doenças sem tino, mortes sem destino, ainda mais empobrecer os que já pobres andavam a viver e espalhar perdas e gastos em mais inocentes do que em culpados.

    Não. Aquilo que te pretendo dizer é que já está na hora de ires embora.

    Já sei que me vás dizer que, infelizmente, só assim podia ser, se quisesses dar uma lição àqueles que a tinham de receber.

    Que havia cidades que o ar era quase irrespirável e por mais chamadas de atenção ninguém queria acabar ou diminuir essa grave situação.

    E que agora, esse povo, já pode ver o azul do céu, a lua a passear, as estrelas cintilando e o sol a brilhar!

    Que alguns rios que se arrastavam poluídos, já correm levando a frescura da água consigo.

    E sobre os homens, os tais poderosos, gananciosos, sedentos por dinheiro, existentes pelo mundo inteiro.

    Sei que me vais falar que só tu foste capaz de os amedrontar, de fazê-los pensar que, afinal, são iguais aos restantes mortais.

    Também me vais dizer que, no fundo, só tu é que nos mostraste as fragilidades dos países neste mundo.

    Certamente vais te gabar de seres tu, um ser minúsculo e invisível a olho nu, o único capaz de dizer a certa gente que, o mais adequado e inteligente, talvez não seja esquecer o passado, ignorar o futuro e só pensar no presente.

    Hoje, provavelmente, ninguém estaria a sofrer um golpe tão duro, se alguém tivesse tirado uns momentos para pensar no que sempre pode acontecer no futuro.

    Sei que me vais dizer isso tudo.

    Que foste tu que mostraste a verdadeira face desses trastes, incompetentes, insensíveis, idiotas e presunçosos, a que muitos países estão entregues por ditaduras ou por votos.

    Que tentaste parar ou diminuir significativamente, pelo menos por algum tempo, a onda de corrupção, especulação, acidentes de viação, violências diversas, assaltos e desastrosos comportamentos, alguns, em parte, ao forçado confinamento.

    Sei que tudo isso vais dizer para defenderes o teu aparecimento.

    Mas não é bem assim, o que fizeste e ainda fazes foi e é demasiado ruim.

    E quanto à corrupção e especulação, elas, por agora, só mudaram de mãos e voltarão em pleno, assim que deixes de espalhar o teu veneno.

    Ao não conseguires mudar certas MENTALIDADES a tua vinda – que já era má - foi uma barbaridade, incidindo o mal, sobretudo, nos mais fracos, nos mais doentes nos de maior necessidade.

    Exactamente porque aqueles TRASTES que dizes que mostraste, em nada vão mudar depois de tudo isto acabar. Porque, com uma ou outra excepção, a eles não chegou a tua maldição!

    De modo que, (apesar do bem que dizes que fizeste) se passares por mim na rua faz de conta que não me conheces.

    Passa por cima ou ao meu lado, leva essa tua” bondade” para o inferno, onde lá mora o diabo!

    Juvenal Pereira