Juntas somos mais fortes
Na sociedade, a mulher está sempre sob pressão. O enfrentar desafios é frequentemente romantizado com a expressão “mulher guerreira”, como se fosse natural suportar tudo em silêncio. Nos padrões sociais dominantes, as mulheres têm de ser excelentes e heroínas em casa e no trabalho, dando conta de tudo sem reclamar. Essa expetativa constante de desempenho e perfeição gera sobrecarga física e emocional, levando muitas a sentimentos de culpa, exaustão e inadequação quando não conseguem corresponder a um ideal impossível.
Durante séculos, o papel da mulher foi reduzido ao espaço doméstico, à maternidade e ao cuidado, enquanto os homens ocupavam posições de poder, decisão e visibilidade pública. Mesmo com os avanços conquistados, muitos desses padrões continuam presentes, ainda que de forma mais subtil. A mulher que ambiciona cargos de liderança é questionada; a que prioriza a carreira é julgada; a que escolhe a maternidade é, por vezes, desvalorizada profissionalmente. Em qualquer cenário, parece haver sempre uma exigência adicional.
Ao longo da história, a rivalidade entre mulheres também foi estimulada. Essa lógica serve ao sistema patriarcal: mulheres divididas têm menos força coletiva para questionar desigualdades. Esta rivalidade é reforçada na cultura e até na linguagem quotidiana, criando a ideia de que há pouco espaço para todas. Em vez de reconhecer que o problema está na limitação estrutural de oportunidades, muitas acabam por ver outras mulheres como ameaças.
Não é novidade que muitas desigualdades persistem e precisam ser combatidas. Contudo, o caminho para a igualdade passa também por romper com essa mentalidade competitiva imposta. Quando criticamos o aspeto físico ou as escolhas umas das outras, quando tentamos diminuir conquistas alheias ou disputar espaços de forma hostil, reforçamos estereótipos que sustentam a exclusão feminina. O patriarcado beneficia-se dessa fragmentação, pois mulheres isoladas têm menos poder de reivindicação.
Vivemos ainda numa sociedade que não ensina as mulheres a dizer “não” e a se impor. Quando o fazem, são rotuladas de “mandonas” ou “agressivas”, enquanto homens com comportamentos semelhantes são vistos como “assertivos” e “líderes”. Muitas sentem-se pressionadas a adotar posturas consideradas masculinas para serem levadas a sério, como se competência tivesse género. O feminino deve ser celebrado e não desvalorizado.
Para enfrentar essas formas de opressão, é essencial cultivar a sororidade: união, apoio e empatia entre mulheres. A solidariedade feminina não significa ignorar diferenças, mas respeitá-las e reconhecê-las. Quando ousamos apoiar outra mulher sem que ela peça, quando procuramos conselho sem receio de julgamento e quando celebramos conquistas umas das outras, enfraquecemos a lógica da competição. Juntas somos mais fortes. A mudança ganha dimensão quando se transforma em consciência coletiva e transformação social.