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Ilha dourada ou gaiola dourada?

Discute-se muito as dificuldades dos estudantes universitários deslocados, geralmente com o foco no jovem que se desloca para ou dentro do território continental português. Contudo, cá na Região Autónoma da Madeira existe um grupo de estudantes que passa por semelhantes desafios aquando da sua entrada no ensino superior, e falamos logicamente dos estudantes oriundos da Ilha do Porto Santo. O Porto Santo não possui qualquer estabelecimento de ensino superior universitário ou politécnico e este vácuo nas oportunidades de continuação da formação e qualificação força a deslocação da sua população jovem para fora da ilha, ou da região para o efeito. O alojamento estudantil torna-se um problema para estes jovens, que para muitos madeirenses a estudar na Universidade da Madeira pode não ser tão evidente. Por outro lado, estudar na UMa permite um crescimento pessoal a estes estudantes, mas ainda numa zona de conforto. Será um intermédio entre o choque de ir estudar para uma grande cidade como Porto, Lisboa, ou Coimbra, mas já sendo um desafio de considerável dimensão, tendo de sair de casa dos pais e do seio familiar.

É também importante refletir no futuro da sua ilha, e o Porto Santo passa pelos mesmos problemas que a Madeira no que diz respeito à indústria pouco desenvolvida, à dependência excessiva do turismo, às poucas oportunidades de trabalho qualificado, com a agravante da inexistência de ensino superior e da predominância de trabalhos sazonais. Tudo isto indica que todo o recém-nascido porto-santense está fadado ou a abandonar a ilha após completar o 12.º ano, ou por lá permanecer em empregos de baixa qualificação, pois não existe forma de absorver muitos profissionais qualificados, de variadas áreas. Mesmo sendo possível a realização de trabalho remoto a partir da ilha dourada, são ou serão em número muito reduzido aqueles que após completarem os seus cursos retornarão a casa para se fixarem e viverem a sua vida adulta.

A Universidade da Madeira aqui posiciona-se como uma interessante força motriz capaz de ajudar no desenvolvimento da ilha. Numa futura expansão da UMa para a ilha vizinha poderá ser possível a criação de cursos de baixa duração de carácter prático com aplicabilidade imediata ou a curto-prazo. Por outro lado, a UMa poderá promover a investigação científica em áreas que sejam consideradas de interesse local. É importante qualificar e formar quem no Porto Santo vive e trabalha, mas também de alguma forma ajudar a fixar população e indústrias, para que não se transforme a ilha dourada numa gaiola dourada, ou berçário de jovens capazes e competentes para outros territórios.