Mobilidade aérea: favores, recuos e humilhações
É absolutamente inadmissível que, em pleno século XXI, os portugueses residentes nas regiões autónomas continuem a ser tratados como cidadãos de segunda categoria.
A mobilidade aérea entre o continente e as ilhas (Madeira e açores), deveria ser um direito garantido, uma questão de equidade territorial. No entanto, o governo da República insiste em apresentar benefícios básicos, como se fossem esmolas, um favor concedido generosamente pelo Estado central. É esta lógica colonialista que continua a imperar: cidadãos das ilhas como “colonos” à espera da caridade de Lisboa. Uma vergonha.
Nos últimos dias assistimos a avanços cosméticos e vergonhosos, que rapidamente se transformam em recuos inaceitáveis. O que deveria ser um direito fundamental de mobilidade é transformado num jogo político, numa moeda de troca entre o governo central e as elites partidárias.
O PSD Madeira, ao longo dos anos, tem mostrado claramente que nunca teve vontade real de alterar este estado de coisas. A submissão às decisões de Lisboa, o alinhamento com interesses centrais, revelam um padrão preocupante: Eleitos que se agacham ao poder central, sacrificando os interesses da população local em nome de estratégias políticas de bastidores.
É urgente uma mudança de paradigma. A mobilidade aérea não pode ser vista como um favor: é um direito constitucional, ponto final.
O Estado tem de deixar de tratar os cidadãos das ilhas como beneficiários de esmolas e reconhecer que garantir o acesso digno e regular ao continente é, antes de mais, uma obrigação constitucional e moral. Até lá, continuaremos a denunciar esta humilhação institucional e a exigir coragem política para pôr fim a décadas de desigualdade.