Há quem queira ver a Madeira a arder
Há uma perigosa lista de incendiários nesta ilha em que o fogo posto é frequente
Há quem queira ver a Madeira a arder. Quem? Muitos mais do que aqueles que eram expectáveis, até porque pirómanos sempre houve nesta terra de negacionismo institucionalizado, de miserabilismo impingido e de ódios absurdos.
A ordem é irrelevante, mas há diversas personalidades a envolver obrigatoriamente em tudo quanto for moções de censura, auditorias, comissões de inquéritos, petições, queixas e eleições, a denunciar sempre que for preciso e a merecer redobrada atenção mediática quando renascermos, uma vez mais, das cinzas. Isto porque os incêndios não fizeram vítimas directas, mas tiraram-nos o sono e a qualidade de vida; não consumiram casas habitadas, mas destruíram palheiros e armazéns; não deram cabo da Floresta Laurissilva, mas mutilaram a paisagem e provocaram danos severos no património natural da Região; não provocaram até agora demissões, o que não surpreende, mas chamuscaram políticos, sobretudo os que se deixaram queimar pela prepotência e arrogância, mas também os que por causa de cinco minutos de fama e futuros sufrágios, apressaram-se a aparecer, a inquirir e a julgar ainda com o lume activo.