Negacionistas das alterações têm mais atenção mediática que cientistas

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14 Ago 2019 / 23:51 H.

As personalidades que negam as alterações climáticas têm beneficiado de mais atenção mediática que os climatologistas, criando uma confusão no grande público e o enfraquecimento da luta contra o aquecimento global, segundo um estudo publicado esta semana.

Para fazer o estudo, divulgado na revista Nature Communications, os investigadores analisaram cem mil artigos da imprensa escrita e divulgados na internet, publicados entre 2000 e 2016, procurando citações e nomes de várias centenas de climatologistas de primeiro plano e um número igual de universitários, empresários e políticos que se declaram céticos em relação às alterações climáticas ou que as atribuem a causas “naturais”.

Os autores do estudo, dirigido por Alexander Petersen, da Universidade da Califórnia, em Merced, escreveram: “Descobrimos que a visibilidade dos negacionistas das alterações climáticas foi 49% mais importante que a destas”.

Mesmo no seio de uma seleção da comunicação social anglófona de primeiro plano, como o New York Times, o Guardian ou o Wall Street Journal, os negadores das alterações climáticas foram mais citados.

Segundo a informação científica, a temperatura média global aumentou um grau centígrado desde os tempos pré-industriais, devido às emissões de gases com efeito de estufa geradas pelas atividades humanas, com os climatologistas a avisarem, desde há muito, para as ameaças que o aquecimento global coloca à espécie humana.

“Os que estão contra a corrente em termos de alterações climáticas conseguiram organizar uma posição forte no seio da comunicação política e científica”, realçaram os autores do estudo.

“Tal desproporção na visibilidade mediática dos argumentos e dos atores contra a corrente desnatura a repartição das opiniões dos peritos” e “mina” a credibilidade dos climatologistas, acrescentaram.

Este desequilíbrio é reforçado pelo efeito amplificador das redes sociais, como a Facebook e a Twitter, segundo o estudo.

Depois da publicação em outubro de um relatório alarmante de um grupo de cientistas do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC, na sigla em inglês), a questão do aquecimento global ganhou importância entre o grande público e multiplicaram-se as manifestações a exigirem ações contras as alterações climáticas. Alguns governos ocidentais comprometeram-se em atingir a neutralidade carbónica até 2050.

Mas os meios de comunicação tradicionais continuam apesar de tudo a servir de plataforma a afirmações duvidosas, desacreditadas inclusive, sobre as alterações climáticas, concluíram.

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