América do Sul tornou-se “outro epicentro” da pandemia

23 Mai 2020 / 03:00 H.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) disse, esta sexta-feira, que a América do Sul se tornou “outro epicentro” da doença covid-19, afectando especialmente o Brasil.

Em conferência de imprensa ‘online’ a partir da sede da organização, em Genebra, Michael Ryan, director do programa de emergências de Saúde, falou do aumento de casos de covid-19 em muitos países sul-americanos, referindo-se à situação do Brasil como “claramente o país mais afectado” e ao grande número de casos em São Paulo.

Michael Ryan lembrou também que o Governo do Brasil aprovou o uso de cloroquina “para um uso mais abrangente” na luta contra a epidemia, para reafirmar que “as evidências clínicas não apoiam o uso da cloroquina”.

Mais à frente, voltou a avisar que o uso de cloroquina ou de hidroxicloroquina, para a prevenção e tratamento de malária, apenas devem ser usados em ensaios clínicos e com supervisão, já que têm efeitos secundários, como problemas cardíacos e arritmias.

Sobre a disseminação da doença em África o responsável da OMS admitiu que a covid-19 não se espalhou de forma tão rápida no continente, apesar de na última semana nove países terem tido um aumento de 50% de casos.

Um dos motivos para que África ter menos casos e menos mortes pode dever-se a um perfil diferente da idade, já que é muito maior a percentagem de população jovem, em relação a outros continentes, admitiu.

Além disso, acrescentou, os resultados da progressão da covid-19 também são reportados com menos rapidez.

O Brasil tem 310.087 casos de covid-19 e 20.047 mortes provocadas pela doença. No Rio de Janeiro, a terceira região mais populosa do país, com 17 milhões de habitantes, a pandemia deixou 3.412 mortos e mais de 32.000 infecções.

Michael Ryan disse também que era preocupante a situação na região amazónica, com uma taxa de infecção muito elevada.

Na quarta-feira o Governo brasileiro divulgou um protocolo, através do Ministério da Saúde, a autorizar a administração de cloroquina para o tratamento de casos ligeiros de covid-19.

Na quinta-feira o Presidente, Jair Bolsonaro, afirmou que sabe “que a cloroquina não tem comprovação científica”, mas defendeu que há muitos relatos de médicos sobre pacientes que tomaram o medicamento e se curaram.