Activista yazidi e Nobel da Paz Nadia Murad quer colaborar com novo governo iraquiano

Iraque /
13 Mai 2020 / 18:47 H.

A ativista yazidi e Nobel da Paz Nadia Murad divulgou hoje que pretende colaborar com o novo primeiro-ministro do Iraque, Mustafa al-Kazemi, para a “construção da paz” naquele país e para a inclusão das comunidades minoritárias.

“Estou ansiosa para colaborar para a construção da paz no Iraque”, disse Nadia Murad, numa mensagem publicada hoje na rede social Twitter, numa referência a uma conversa mantida com o novo chefe do governo iraquiano.

Nadia Murad, que em 2014 foi sequestrada pelo grupo extremista Estado Islâmico (EI) no norte do Iraque (como outras milhares de mulheres e jovens menores da minoria yazidi) e vendida como escrava sexual, divulgou hoje que manteve uma conversa com Mustafa al-Kazemi sobre assuntos relacionados com esta minoria religiosa de origem curda que tem sido alvo de perseguições.

A ativista, galardoada com o Nobel da Paz em 2018, referiu que abordou com o recém-designado governante iraquiano a procura das muitas pessoas desta minoria sequestradas que ainda permanecem desaparecidas.

Apesar de algumas terem conseguido regressar ao seu local de origem, em Sinjar, no noroeste do Iraque, a ativista lembrou igualmente a Mustafa al-Kazemi que a região não dispõe de todos os serviços, nem foi alvo de trabalhos de reconstrução desde a invasão dos ‘jihadistas’ do EI.

Nadia Murad também indicou ter abordado com Mustafa al-Kazemi “a importância de incluir as minorias no governo” iraquiano, que ainda tem algumas pastas por atribuir.

O Parlamento iraquiano aprovou na semana passada a nomeação do ex-diretor dos serviços secretos Mustafa al-Kazemi como novo primeiro-ministro, pondo fim a cinco meses do governo interino chefiado por Adel Abdelmahadi, demitido em 29 de novembro passado.

O fragmentado Parlamento iraquiano apoiou as nomeações de Al-Kazemi e de 15 ministros, mas adiou a aprovação de algumas tutelas, como Negócios Estrangeiros e Petróleo.

O novo governo assumiu funções em plena crise económica, política e institucional, após meses de protestos, nos quais morreram mais de meio milhar de pessoas.